Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 08/02/2020
A obra " 451 Fahrenheit", de Ray Bradbury, retrata um futuro distópico em que fora banido da sociedade quaisquer materiais de leitura e raciocínio, no qual um Estado totalitário, por meio de um complexo aparato tecnológico, controla e manipula o comportamento da população. Nesse sentido, a narrativa volta-se para Montag, um bombeiro cujo ofício não dá-se mais no impedimento de incêndios, mas sim em sua formação. Entretanto, após conhecer Clarisse, uma jovem revolucionária, Montag passa a questionar-se sobre as proibições formuladas pelo governo e o totalitarismo praticado pelo mesmo. Concomitante a isso, a atual sociedade está em situação análoga: através do domínio e da manipulação tenológica e midiática, são estabelecidas novos cenários totalitaristas sobre a sociedade.
É relevante abordar, primeiramente, de acordo com a Constituição Federal de 1988, quanto a liberdade de expressão e a privacidade, direitos inatos que devem ser garantidos aos indivíduos. No entanto, a ausência de fiscalização no meio virtual propicia a manipulação de informações fornecidas a população, fenômeno semelhante a Industrialização Cultural abordada por Walter Benjamin, filósofo que analisou a colonização e domesticação cultural pregadas pelo sistema, priorizando a divulgação de informações e conteúdos atrativos apenas para o consumo pessoal, dessa forma, padronizando o gosto do público e destruindo o senso crítico do mesmo.
Faz-se mister, ainda, salientar as consequências desencadeadas pelo domínio tecnológico no comportamento social. De acordo com o escritor Victor Hugo: “Quem domina o mundo não são as máquinas, são as ideias”. Dessarte, as ferramentas digitais utilizadas pela mídia sobre os usuários tornam o espaço virtual em uma estrutura de poder social que submete a sociedade a aderir visões de mundo limitadas às ideologias defendidas e disseminadas pela mídia dominante, sintoma da Industrialização Cultural de Walter Benjamin.
Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para solidificar políticas que visem á construção de um mundo melhor. Dessa maneira, urge que o Ministério da Educação (MEC), em conjunto com o Ministério da Cultura necessitam promover propagandas e palestras a fim de conscientizar o corpo social quanto aos perigos do controle virtual praticado pelas plataformas tecnológicas. Ademais, o governo deve ponderar quanto a precisão de criar um órgão responsável pela verificação do que é difundido pela mídia para impedir violações de privacidade do indivíduo e combater o despotismo tecnológico.