Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 16/02/2020
No livro “Fahrenheit 451” de Ray Brudbury, é retratado um futuro distópico em que a sociedade não possui senso crítico e está tomada pela a alienação. Isso se dá, em sua essência, pela proibição dos livros e o incentivo a aparelhos eletrônicos, decisões tomadas pelo Estado. Guy Montag é o protagonista da ficção, e sua função como bombeiro é queimar todos os livros que fossem “descorbertos”. Analogamente, é fato que a realidade abordada por Brudbury pode ser relacionada ao mundo cibernético do século XXI: gradativamente, o avanço da tecnologia e o controle da informação corroboram para uma grande “paralisia” sociocultural diante a população, facilitando o processo de subordinação dos cidadães.
Em primeiro lugar, é perceptível que, o avanço da tecnologia tem muitos aspectos positivos, contudo, é uma ferramenta que pode contribuir com diversos pontos cruciais na determinação da liberdade das pessoas, como visto na distopia de Brudbury. Entre tantos fatores relevantes, podemos destacar o uso excessivo de mídia sociais, jogos eletrônicos e realidade virtual que cada vez mais estão sendo usadas como fontes de entretenimento e contribuem com a não interação social. Sendo assim, os indivíduos se sentem gradualmente mais confortáveis, sendo mais suscetíveis a serem controlados por governos totalitários.
Por conseguinte, presencia-se um forte poder da controle da informação, levando em consideração que, se a população investe muito tempo “online” é porque são impostos mecanismos que consigam-os prender em um determinado assunto de acordo com o que é usado e pesquisado. E esse fator é determinante para o processo de alienação, em que o indivíduo não terá do que reclamar, por estar justamente preso nessa bolha sociocultural. Os mesmos fatores são observados no livro “Admirável mundo novo” de Aldous Huxley, que é retratado um governo que deu grande ênfase em programas televisivos e gadgets, fazendo com que as pessoas não tivessem mais interesse em livros e consequentemente, não desenvolvessem o senso crítico.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para melhorar o quadro atual do uso da tecnologia. Para conscientizar a população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério de Educação e Cultura (MEC) incentive, por meio políticas publicas, a leitura de livros, pois a leitura é de extrema importância para que a sociedade consiga ter noção do que está ocorrendo em sua volta. Somente assim, será possível que nossa população se desvincule cada vez menos com o mundo virtual e consiga estabelecer o hábito da leitura, evitando as duas realidades retratas em “Fahrenheit 451” e “Admirável mundo novo”.