Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 15/02/2020

Um dos problemas mais significativos da sociedade global contemporânea é a formação de um novo totalitarismo, favorecida pelo mundo digital e globalizado. Esse infortúnio está relacionado, sobretudo, à manipulação das pessoas, bem como à homogeneização sociocultural. Em vista disso, há a necessidade de serem tomadas medidas para solucionar ou minimizar a problemática.

Primeiramente, vale ressaltar que o advento da internet e da globalização tecnológica contribuiu para a intensificação das distâncias afetivas entre as pessoas. Segundo a filósofa Hannah Arendt, a segregação humana, prática típica de regimes totalitários, fundamenta os projetos biopolíticos, ocasionando a banalidade do mal, a qual isola as pessoas de preocupações com a moral comum e as leis. Nesse sentido, percebe-se que isso é muito preocupante, visto que a segregação afetiva da humanidade nessa era cibernética(seja, por exemplo, por meio das redes sociais, da camarotização e da precarização das relações trabalhistas) abre lacunas para a manipulação dos indivíduos, resultando em um novo tipo de totalitarismo.

Além disso, outro fator determinante do problema é o fenômeno conhecido como “indústria cultural”, no qual a cultura é desvalorizada e passa a ser vista como mercadoria. Conforme os sociólogos Adorno e Horkheimer, tal fenômeno acarreta não só a perda de senso crítico da população e criação de falsas necessidades de consumo, mas também a homogeneização sociocultural. Nesse contexto, nota-se que isso é muito alarmante, porque tal homogeneização acentua preconceitos sociais, defendendo ideias etnocêntricas, além de ser uma meta comum entre regimes totalitários.

Fica evidente, portanto, a necessidade de mediação da família, da escola e do Estado, entre outras instituições sociais, com o objetivo de combater esse novo totalitarismo. Assim sendo, é necessário que, nas famílias, os pais eduquem os filhos, alertando-os acerca do perigo da doutrinação no meio virtual. Nas escolas, por sua vez, os professores devem abordar esse tema com os alunos, mediante palestras e projetos pedagógicos periódicos. E o Estado brasileiro, por intermédio do Ministério da Educação e Cultura, deve criar, nos meios de comunicação de massa, campanhas publicitárias que busquem a valorização do diálogo, da troca de opiniões e da diversidade sociocultural. Em suma, entre outras medidas, essas podem minimizar o problema em questão.