Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 16/02/2020
Uma prática comum em governos totalitários como o de Getúlio Vargas (1930-1945) é o controle informacional sobre a população, manipulando e selecionando quais as informações devem chegar aos cidadãos e, a partir disso, dominar o comportamento e pensamento dos nacionais do país, esse manejo era realizado através dos jornais e rádios da época, como a “Hora do Brasil” que servia de propaganda ao governo Vargas. No entanto, a vida privada em regimes como esse era muito raramente invadida, sendo feita apenas contra pessoas que fossem uma ameaça a manutenção da ditadura, contudo, com o advento de novas tecnologias como a internet, dados privados de milhões de pessoas podem ser facilmente acessados e usados para obter um forte controle da população, criando uma nova forma de totalitarismo baseado na tecnologia, manejando até o comportamento do usuário na internet.
Na obra “O cortiço” de Aluísio Azevedo, é notório, através da mudança comportamental dos personagens, como o ambiente em que os indivíduos estão inseridos muda o seu jeito de agir, semelhante as ideias evolutivas de Lamarck, em que os indivíduos mais adaptados se transformam com as mudanças do meio. Fora da literatura e da biologia não é diferente, sendo assim, uma nova forma de totalitarismo que manipule as informações recebidas pela internet será extremamente poderoso, pois com a gestão informacional, em um ambiente com um número tão grande de usuários, criar-se-á uma base adequada para um regime totalitário.
Outrossim, é mister considerar o ilustre caso do “Facebook”, que foi processado e condenado a pagar uma multa, após ser considerado culpado por vender dados particulares de milhões de seus usuários para inúmeras empresas e até governos, o que é totalmente ilegal. Dessa forma, é incontrovertível que há um forte interesse do ramo empresarial, e estatal, em saber o que as pessoas fazem em sua vida privada, usam a internet como um meio para descobrir isso.
Destarte, é mister intervir para que novas formas de totalitarismo não nasçam graças a tecnologia. O preâmbulo da Constituição Federal de 1988 diz que o Brasil é um Estado democrático e republicano, consequentemente, é totalmente repugnável qualquer tipo de regime totalitário. Diante disso, é necessário que a Secretaria da Cultura atue com propagandas, de forte apelo midiático, que incentivem as pessoas que usam a internet a buscarem mais de uma fonte de informação, diminuindo assim o risco de manipulação do usuário. Ademais, é imprescindível, que seja sancionada uma lei que puna, com multas pesadas, empresas que compram, ou vendam, informações privadas e que, além disso, os Ministérios Públicos Estaduais e Federal, atuem de maneira célere para punir essas empresas, atenuando o problema de maneira justa e democrática.