Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 15/02/2020
Segundo a Wikipédia, Notícias Falsas ou Fake News são uma forma de distribuição deliberada de desinformação ou boatos via jornal impresso, televisão, rádio ou online, como através das mídias sociais. No contexto de avanço tecnológico do século XXI, faz-se essencial o debate acerca do aspecto dual que essas mídias digitais surgentes podem exercer na esfera política das sociedades. Se, por um lado, elas constituem uma importante ferramenta de democratização do acesso à informação, por outro, podem ser usadas para fortalecer o totalitarismo político, por meio do estímulo à intolerância social.
Conforme o jornalista e professor da Escola de Comunicação e Artes da USP, em entrevista à Folha de São Paulo, o que fortalece o regime democrático é o conjunto de cidadãos investidos do poder de fiscalizar a Administração Pública, sendo esta competência viabilizada pelo acesso à informação. Nesse sentido, o avanço tecnológico permitiu um soerguimento da democracia, ao passo que abarcou parcelas da população que tinham pouca aproximação com os veículos de comunicação tradicionais.
Contudo, ainda em consonância com o jornalista, as redes sociais, a medida que estabelecem um vínculo direto do governante com setores mobilizados da sociedade, permitem que governos autoritários atropelem contrapontos que os demais poderes do Estado democrático de direitos, poderiam exercer, como a Esfera Legislativa, por exemplo. Sobre essa perspectiva, quando informações falsas são articuladas no sentido de ferir a integridade e respeitabilidade de instituições democráticas como a imprensa, de promover a intransigência ao pluralismo de opiniões, de infamar a dissidência e o pensamento divergente, desencorajando o debate público aberto e consciente da sociedade, o avanço tecnológico revela sua faceta antidemocrática.
Dessarte, posto que a era tecnológica apresenta inquestionáveis incrementos ao ambiente democrático, de maneira paradoxal ela apresenta também uma vultuosa e temerária ameaça a esta forma de Estado. A fim de resguardar os direitos do presente regime de investidas políticas autocráticas, constitui-se vital a capacidade da sociedade de distinguir as notícias de fundamentação científica de informações falseadas, comumente envoltas e promulgadas por movimentos de histeria e fanatismo ou por discursos de ideologia discriminatória nas redes sociais. Para tanto, os indivíduos, no exercício de sua Cidadania Digital, devem se atentar às fontes das notícias que consomem e suas formas de veiculação, verificando seu embasamento factual, analisando os alicerces de suas concepções, tendo especial cautela ao se identificar juízos de valor abusivos ou que cerceiem a liberdade de parcelas díspares da sociedade. Enseja-se, assim, alavancar o uso responsável das tecnologias e da acessibilidade por ela acrescida de modo a proteger o pilar social democrático.