Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 14/02/2020
Segundo Jean-Paul Sartre, a única coisa da qual não se pode isentar é da liberdade. Contudo, na contemporaneidade, as novas formas de totalitarismo, regime no qual existe um domínio absoluto do Estado, cerceiam essa independência de forma silenciosa, já que a tecnologia, por exemplo, as redes sociais, passa a ser ferramenta para o controle dos cidadãos. Essa adversidade, cuja consequência está relacionada à quebra do contrato social, influencia negativamente a população brasileira.
Em primeiro lugar, é notório que os sujeitos são moldados por meio da tecnologia. No escândalo da Cambridge Analytica, foi descoberto que a empresa utilizava de dados dos cidadãos, que não sabiam do vazamento de suas informações, para manipular suas opiniões nas votações do Brexit e nas eleições dos Estados Unidos de 2016. Assim sendo, é evidente o totalitarismo tecnológico presente nesse uso de dados, já que a liberdade de escolha é limitada pelo domínio dissimulado das ações dos sujeitos, que deixam de escolher e pensar autonomamente. Desse modo, os indivíduos tornam-se alienados de si mesmos.
Nesse contexto, é evidente a desagregação do contrato social pelo totalitarismo tecnológico do Estado. Conforme John Locke, é um dever do Estado garantir os direitos naturais do homem, como a liberdade e a propriedade, visando ao bem social. No entanto, sob esse prisma totalitário, o acordo social é quebrado, já que a emancipação de pensamento e de opinião é um direito intrínseco ao ser humano. Assim, quando a tecnologia é utilizada pelos governantes para moldar a população conforme a sua vontade, é exposta a face perversa do Estado, já que ele deixa de promover o bem geral da população em virtude do seu domínio absoluto.
Portanto, é manifesta a perda da emancipação proveniente do uso totalitário da tecnologia. Dessa forma, é de fundamental importância que a população, em parceria com as universidades, promova manifestações e protestos contrários à soberania tecnológica do Estado, o que deve ser feito de forma pacífica, pela comunicação entre sociedade e governantes, ao mostrar que o livre pensamento é um direito natural do homem, o qual não pode ser transgredido. Somente assim, por intermédio da ação ativa da sociedade, a domínio irrestrito do Estado será impedido e a liberdade de pensamento fomentada, em concordância com as conjecturas iluministas de Locke.