Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 16/02/2020

A obra literária 1984, de George Orwell, retrata em uma distopia, como o totalitarismo pode ser perigoso ao criar uma sociedade destituída de privacidade e isso se reflete em cidadãos robóticos manipuláveis. Fora da ficção, a realidade do totalitarismo na era tecnológica apresenta-se cada vez mais presente na contemporaneidade com novas formas, e se enquadra como uma problemática exigente de solução. Assim, para que essa grave questão seja resolvida e receba a seriedade devida, faz-se necessário maior debate no corpo social a esse respeito, bem como, a garantia que a insuficiência de leis seja mitigada, a fim de assegurar a democracia na era digital.

A priori, pode-se pontuar que a ausência de discussão sobre os efeitos nocivos que o totalitarismo deixou no histórico mundial, configura-se como um complexo dificultador para solucionar o problema das novas formas desse mal no meio cibernético. De acordo com o filósofo Foucault, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, percebe-se uma lacuna no que se refere ao debate entorno do totalitarismo no meio tecnológico, que tem sido silenciado. Sob esse viés, o contexto visto em “1984”, deixa de ser ficção e descreve a realidade: a ausência de privacidade inexistente em redes sociais, como por exemplo, com o controle de dados, que configura um regime totalitário, ao dar aos cidadãos uma “liberdade ilusória”, caracterizando-o como uma marionete do sistema. Então, sem diálogo sério e massivo sobre esse entrave, sua resolução é impedida e a população segue prejudicada.

Em segunda análise, a questão da deficiência legislativa para assegurar a doutrina democrática apresenta-se como outro fator de influência na dificuldade de efetivação da problemática. Por essa ótica, segundo o escritor Umberto Eco, “Para uma situação ser tolerante é preciso fixar os limites do intolerável”. Nesse aspecto, são notórias as deficiências no enredo moderno, que é explicitada pela falta de uma legislação adequada. Em tal quadro, sem base legal, ações de remediação são impossibilitadas, o que coloca em risco a democracia do cidadão, ao garantir seu direito de liberdade e privacidade por completo, na era tecnológica.

Impende, portanto, medidas estratégicas capazes de assegurar a resolução desse entrave. Para isso, é preciso que faculdades e escolas, em parceria com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de debates sobre as novas formas de totalitarismo possíveis na tecnologia, no ambiente educacional. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, com a presença de professores e convidados especialistas no assunto. Além do mais, tais eventos devem ser abertos à comunidade, visando a formação de cidadãos mais conscientes da realidade e atuantes na busca de resoluções.