Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 17/02/2020

A banda britânica Pink Floyd lançou, na década de 1970, uma canção que gerou repercussão mundial: “Aother Brick In The Wall”, mais um tijolo no muro, em português. Essa música reflete sobre o sistema de ensino vigente e seu caráter totalitário que, por meio da educação, manipulava o comportamento dos estudantes de modo a os encaixar em um só padrão. De forma análoga, atualmente, na era contemporânea, os indivíduos se encontram em uma nova forma de totalitarismo: a tecnologia.

O sociólogo alemão Hebert Marcuse considera essa nova forma de totalitarismo como a mais perigosa entre as antecessoras, devido ao seu caráter embuçado. A exemplo disso, recentemente, o Governo Chinês, a fim de controlar o comportamento da população, criou um sistema de crédito social, o qual garante aos cidadãos recompensas mensais de acordo com o seu comportamento. Nesse contexto, essa estratégia de dominação comportamental caracteriza o que Marcuse denomina racionalidade técnica, pois se expressa pelo uso da tecnologia como forma dissimulada de controle e coesão social.

Nesse contexto, vale salientar, também, que essa forma de totalitarismo aparta os indivíduos do direito à privacidade. De acordo com o filósofo francês Michael Besnier, a tecnologia deixa o homem cada vez menos livre. Nessa perspectiva, o livro 1984, de Jorge Orwell, retrata uma sociedade, em um futuro não tão distante, na qual todos os indivíduos são constantemente vigiados e controlados pelo Grande Irmão, o que os usurpa de uma vida privada. Dessa mesma forma, com o rápido avanço tecnológico, a exposição em redes comunicativas têm crescido a cada dia, em busca de “status” e aceitação social, principalmente entre os jovens, o que configura uma alienação tecnológica.

Portanto, cabe ao MCTIC, Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, juntamente com o MEC, Ministeio da Educação, a criação do projeto “Menos Redes, Mais Sociais”, que tem o objetivo de incentivar a população a substituir seu tempo gasto com tecnologia por atividades como leitura e interação social, a fim de reduzir o uso excessivo da tecnologia e, consequentemente, diminuir a alienação tecnológica. Assim, ao conter o uso desmoderado de equipamentos eletrônicos, espera-se abater o totalitarismo tecnológico e, ainda, formar uma sociedade onde os indivíduos não sejam apenas “mais um tijolo no muro”.