Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 11/03/2020
Durante o Estado Novo, governo instaurado por Getúlio Vargas no século XX, foi criado o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), com o objetivo de manipular a população mediante propagandas transmitidas em larga escala nos rádios. Nesse sentido, verifica-se a tecnologia como instrumento importante para sustentar um regime político totalitário. Tendo isso em vista, no cenário hodierno, o uso inapropriado de tal ferramenta - a tecnologia - propicia a homogeneização comportamental dos indivíduos e a marginalização daqueles que não se adequam às normas.
Em primeiro plano, é imperioso destacar que os avanços no âmbito tecnológico possibilitam a padronização do comportamento das pessoas. Segundo Hannah Arendt, filósofa alemã, “O objetivo da educação totalitária nunca foi incutir convicções, mas obstruir a capacidade de formar alguma”. Sendo assim, para a consolidação do totalitarismo, é primordial que não existam movimentos contrários a sua ideologia, e para que isso ocorra, a população deve adotar uma conduta compatível a essa realidade. Dessa maneira, nota-se o desaparecimento das singularidades, que pode ser difundido rapidamente por intermédio de reguladores virtuais.
Ademais, vale destacar a marginalização da parcela que destoa do padrão determinado. Em um dos episódios da série televisiva “Black Mirror”, é retratada uma sociedade regida por um sistema de pontuação que tem como função atribuir notas às ações de um sujeito com base nas regras sociais estabelecidas. Diante disso, aqueles que não possuem pontos suficientes são impedidos de frequentar certos locais. Desse modo, o direito à liberdade é negado, restringindo essas pessoas do convívio pleno em sociedade.
Logo, é mister a adoção de medidas a fim de impedir o totalitarismo na era tecnológica. Para tanto, cabe ao Poder Legislativo proibir, por meio da criação de leis, que instituições utilizem a tecnologia para implementar mecanismos que interfiram no livre-arbítrio das pessoas, induzindo-as a aderir, inconscientemente, comportamentos específicos - como ocorreu no Estado Novo. Dessa forma, os indivíduos desenvolverão a sua personalidade conforme as suas vivências reais, sem a regulação de agentes externos.