Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 13/03/2020
Em sua análise lógica, o filósofo Noah Chomsky afirmou que o cacetete está para o totalitarismo assim como a propaganda está para democracia. Esse argumento é bem verdadeiro, em especial nos tempos tecnológicos, quando setores majoritários da sociedade usam apetrechos eletrônicos, de forma disfarçada, para controlar a população. Evidentemente, essa forma de atuação representa uma violência totalitária aos direitos humanos.
Em seu livro sobre as “Origens do Totalitarismo”, Hannah Arendt explana que a legitimação da crueldade leva à banalização do mal. Tanto que, depois dos atentados ao World Trade Center (em 2001), os Estados Unidos passaram a monitorar o terrorismo invadindo sistemas eletrônicos de outrem ou recebendo dados de empresas como o Google e a Apple. Resultado: uma década depois, segundo Edward Snowden, a Agência Nacional de Segurança (NSA) espionou o governo brasileiro de Dilma Rousseff atrás de informações econômicas vantajosas sobre atuação da Petrobrás. Assim, aquilo que era para ser a luta contra o terror foi vulgarizado em um instrumento de finalidade escusa à original.
Por outro lado, o cientista social Leonardo Sakamoto tem alertado há alguns anos que a sociedade brasileira definiu um inimigo interno. Diz que, ao final da época petista, parte dos cidadãos brasileiros (com perfil branco, católico e elitista) passou a responsabilizar grupos sociais vulneráveis (como homossexuais, pobres e negros) pelo ocorrido. Assim, usam milícias digitais, nas redes sociais, para mitigarem o assassinato de Marielle Franco e controlarem a individualidade do povo. Dessa forma, restringem a pluralidade e criam uma democracia totalitária (excludente de brasileiros).
Portanto, não é possível tolerar que as violências totalitárias banalizem o mal contra os direitos humanos e a democracia. É preciso que o Ministério da Educação, por meio dos professores, nas escolas, usem o estudo de história para instruir alunos, em ciclos de palestras e debates, explorando a temática de como as milícias digitais usam a internet a favor do totalitarismo. Assim, poderemos prevenir e minimizar o problema.