Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 31/03/2020

A tecnologia, no livro 1984, de George Orwell, foi a principal aliada de um governo ditatorial, baseado na coerção e manipulação. Ao utilizar o que o autor chama de teletelas, o regime vigia a formação de senso crítico. Com o crescimento tecnológico, esse quadro torna-se ainda mais perigoso e, assim, cabe analisar o potencial aumento da eficiência e do alcance que a internet pode proporcionar à propagação de ideais.

Se por um lado a popularização da internet proporciona maior disponibilidade de informações, por outro é capaz de homogeneizar pensamentos por meio de seus instrumentos. É nesse sentido que destacam-se os algoritmos de pesquisa de conteúdo, uma vez que são capazes de oferecer um denso conteúdo, praticamente inesgotável, seguindo as tendências antes pesquisadas pelo usuário. Essa péssima ferramenta pode ser facilmente usada por governos totalitários, de forma análoga ao que acontecia na Alemanha de Hitler, com autofalantes nas praças.

Outrossim, além de tornar mais eficiente, as novas tecnologias são capazes de atingir um maior público. É inegável a popularização da televisão no século XXI e, por conseguinte, de serviços de streaming. Segundo dados do IBGE, em 2016, apenas 2,6% dos domicílios brasileiros não tinha TV. Torna-se, assim, essencial que o indivíduo tenha censo crítico e capacidade de criar suas próprias reflexões acerca de moral e ética, à medida que a difusão dos novos meios de comunicação alcançam maior público.

É inaceitável que, portanto, não hajam medidas que garantam a estabilidade da democracia frente ao aumento dos dispositivos de manipulação. De forma a evitar a censura, cabe aos educadores da área de humanas e linguagens, orientados por meio de cursos do Ministério da Educação, demonstrar aos alunos os perigos do avanço tecnológico na comunicação. Ao recomendar livros como 1984, por exemplo, esse fim é atingido.