Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 04/04/2020
Desde a Idade Antiga até a Moderna, o desígnio de autoridades absolutas e incontestáveis foi a forma de governo vigente, sendo este método mudado apenas após a Revolução Francesa. Entretanto, tal forma de regência ainda perpetua em tempos modernos, utilizando dos novos meios tecnológicos para manter sua influência, o que causa uma série de consequências para os moradores do lugar, desde a limitação do acesso a informações além do que se é desejado até a própria restrição da liberdade.
A priori, em sua obra “A República”, o filósofo Platão defende que, a fim de uma otimização na moral e nos cargos a serem cumpridos pelos habitantes de um Estado, caberia aos governantes restringir completamente a que tipo de informações se teria acesso. Analogamente, tal conceito é utilizado ainda na atualidade, em que países usufruem da tecnologia para monopolizar a liberação de informações em todos os meios de comunicação, impedindo, assim, notícias que de alguma forma poderiam causar uma anomalia no funcionamento da nação sejam transmitidas, enfraqueçam o Governo, e ele, por conseguinte, perca seu poder, como no caso da Coréia do Norte, local onde há apenas canais de televisão estatais e a internet é praticamente proibida.
A posteriori, o pensador Nicolau Maquiavel, em seu livro “O Príncipe”, discorre sobre como é necessário que autoridades supremas façam o que for necessário para atingir seus objetivos, cabendo aos governados apenas seguirem ordens. De maneira semelhante ao ideal do filósofo, diversos Estados autoritários utilizam de todos os meios possíveis, inclusive o científico, para atingirem suas metas, incluindo a de manter o controle total sobre a população, como visto novamente no caso norte-coreano, que utilizou de satélites para rastrear e balear um soldado desertor em sua fuga.
É necessário, dessarte, que o conhecimento deixe de ser usado para fins nefastos, cabendo ao Conselho Econômico das Nações Unidas recomendar aos membros que isentem de impostos empresas de tecnologia que suspendam vendas ou serviços para países que tenham utilizado, de alguma forma, seus produtos para fins não democráticos, para que esses regimes ditatoriais sejam coibidos de exercer suas barbáries e, desta forma, a utilização da ciência para os fins platônicos ou maquiavélicos se torne algo existente somente no passado.