Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 31/05/2020

De acordo com o filósofo alemão Goethe, não há nada mais assustador que a ignorância em ação. Tal pensamento é justificado pela ascenção de políticos autoritários e demagogos em meio ao mundo informatizado. Nesse contexto, sobressaem-se dois principais agravantes: a difusão criminosa de notícias falsas e o atentado contra a democracia.

Em primeira análise, o brasileiro utiliza a internet para comunicar-se e informar-se de notícias de jornais por meio de redes sociais. Todavia, políticos têm aproveitado essa ferramenta para espalhar notícias falsas sobre a oposição ou informações mentirosas a fim de autopromoverem-se. Segundo um estudo desenvolvido pela Kapersky, uma empresa de cibersegurança, 62% das pessoas no Brasil não conseguem reconhecer uma notícia falsa. Dessa forma, a sociedade torna-se vulnerável com risco de eleger alguém que não a represente verdadeiramente.

Em segunda análise, o Brasil ainda é uma sociedade em desenvolvimento com grandes desigualdades sociais. Sob tal perspectiva, o discurso inflamado contra as minorias atraem a massa - grupo de pessoas politicamente neutras ou indiferentes às causas sociais. Conforme Hannah Arendt, autora do livro “A condição humana”, a essência dos direitos humanos é o direito a ter direitos. Portanto, ao ignorar a luta das minorias no combate à desigualdade, a democracia deixa de pertencer ao povo para ser de apenas uma parte dele, transformando-a em um governo autoritário que atende aos desejos do líder.

Conclue-se, portanto, que para impedir tamanho risco a sociedade, a mídia deve promover ações de combate às notícias falsas por meio de um canal de denúncias de páginas da internet, bem como, campanhas de orientação sobre segurança das informações em redes sociais, para que as notícias falsas não sejam espalhadas e influenciem erroneamente as pessoas. Desse modo, a ignorância não será mais um problema, como afirmou Goethe.