Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 23/04/2020

Após o fim da Primeira Guerra Mundial, a Alemanha esteve completamente destruída e passou por uma crise econômica nunca antes vista naquela nação. Esse quadro catastrófico propiciou a escalada autoritária do partido Nazista no país. Assim, naquela época, a enorme tecnologia militar alemã nas mãos do Estado possibilitou uma maior facilidade daquela ditadura a oprimir seu próprio povo. Similarmente, no contexto contemporâneo mundial, nota-se que, após o advento da Revolução Técnico-Científica-Informacional, houve uma modificação nas formas de autoritarismo vigentes no globo. Nesse sentido, observa-se que, não só ocorreu um aumento na capacidade opressora de alguns países, mas também a ascenção de um novo regime totalitário: o de mercado.

Antes de tudo, é necessário informar acerca da importância de se combater os mecanismos causadores do totalitarismo estatal. A esse respeito, John Locke defendeu a ideia de que, a fim de se atingir a democracia, seria necessária uma descentralização política acompanhada da limitação constitucional do poder Executivo. Ademais, nota-se que, atualmente, países como China e Coréia do Norte utilizam a internet como ferramenta de manipulação da população, graças à coleta de dados do povo. Portanto, conclui-se que a concentração política de poder apresenta-se como um empecilho à liberdade ainda maior na era digital, haja vista a maior facilidade em adquirir informação aos governantes sobre os cidadãos.

Outrossim, é imperativo salientar o domínio das grandes empresas nas formas de vida das populações. Acerca dessa premissa, Karl Marx defendeu a ideia de que o processo produtivo da economia capitalista aliena o trabalhador ao impossibilitá-lo de possuir o conhecimento de tudo o que ocorre naquela sociedade que ele ajuda a construir. De maneira análoga, percebe-se que a criação da internet possibilitou o aumento das chamadas “bolhas sociais” (ideias inquestionáveis e comuns a um grupo de indivíduos). Com isso, a existência de padrões coletivos de consumo passa a ser interessante às empresas, uma vez que facilita as atividades comerciais. Dessa forma, a criação das “bolhas socias” impede a transformação social ao prender o indivíduo em um mundo distante da realidade.

Em suma, a fim de minimizar quaisquer práticas de totalitarismo moderno, é dever do Ministério da Educação, em parceria com o Legislativo, promover o ensino nas redes públicas de educação acerca da influência da alienação empresarial e de seu domínio nas escolhas individuais. Isso será feito por intermédio da aprovação de um projeto de emenda à constituição. Esse ensino deverá ser trabalhado pelas escolas via aulas práticas, com contato direto com computadores e internet. Com isso, espera-se afastar-se da horrenda realidade enfrentada pela Alemanha durante o período do nazismo.