Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 12/05/2020

O romance distópico “Admirável Mundo Novo”, do autor Aldous Huxley, retrata uma realidade futurística marcada por desenvolvimentos em tecnologia reprodutiva, hipnopedia, manipulação psicológica e condicionamento clássico, que se combinam para mudar profundamente a sociedade. Embora a obra tenha sido lançada há mais de 8 décadas, sua crítica é cada vez mais pertinente, sendo que aponta os riscos do apoio do totalitarismo sobre os avanços científico-tecnológicos e no “culto ao progresso”. Nesse contexto, ressalta-se a necessidade de combate às consequências nocivas da era tecnológica pela qual se passa no século XXI, como o controle de dados pessoais e a domínio social.

Inicialmente, convém analisar os impactos da tecnologia em relação ao controle da população. Quanto a isso, vale ressaltar que, segundo o filósofo Gilles Deleuze, a sociedade atual experimenta uma sensação de liberdade ilusória em virtude do fácil acesso aos diversos conhecimentos e produtos pelos usuários da internet. Sendo assim, entende-se que a excessiva exposição dos indivíduos à informação os custa sua privacidade, visto que acabam por ceder seus dados pessoais a empresas, as quais os utilizam para benefício próprio. Dessa forma, evidenciam-se os efeitos danosos da exposição de dados privados no ambiente cibernético, que se tornam instrumentos de persuasão ao consumismo.

Outrossim, há interesses do Estado em legitimar a vigilância social através da tecnologia. Exemplo disso é o controle sob a qual a Internet da China se encontra: no país, é obrigatório que todas as plataformas virtuais de notícias sejam gerenciadas por equipes editoriais sancionadas pelo Partido Comunista Chinês e seus funcionários devem possuir credenciais de treinamento e de apresentação do governo central. A partir daí, nota-se a vigilância do Estado sobre a população, a qual tem acesso apenas a conteúdos parciais e previamente manipulados - recortes da realidade -, fato que compromete a veracidade e o conteúdo da informação, além de ferir o inalienável direito de livre expressão, estabelecido na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Portanto, o totalitarismo na era tecnológica é uma ameaça à sociedade e faz necessária uma intervenção. Para isso, é dever das escolas ensinar os alunos a utilizarem a internet de forma segura, por meio de palestras e orientação com especialistas em computação, a fim de que seja assegurado o controle dos dados pessoais dos usuários. Além disso, é preciso que a Organização das Nações Unidas (ONU), promotora da paz mundial, intervenha no cenário de coerção social exercido pelos governos das nações, impondo sanções àqueles que apresentam tais condutas, para que se mitigue a imposição e manipulação ideológica da população. Assim, será efetivado o combate às consequências negativas da era tecnológica vivenciada no século atual.