Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 07/05/2020
Na física, a teoria das cargas de Du-fay afirma que cargas positivas atraem cargas negativas. O mesmo ocorre no contexto tecnológico, visto que houve evoluções positivas, mas que podem ser usadas de forma equivocada. Contínuo a isso, o meio tecnológico traz a possibilidade de estabelecer um totalitarismo, por meio de diversas formas, que na maioria das vezes passam despercebidas, como o controle de dados na internet.
Nesse sentido, em um dos episódios da série Black Mirror, uma sociedade é controlada pelas mídias sociais, em que cada pessoa recebe pontos a partir das suas postagens e da sua conduta, e esses pontos possibilitam serviços como moradia, transporte e emprego. O episódio se passa no futuro, porém nota-se a semelhança com o presente, em que as redes sociais tornaram-se mais importantes que a realidade, cheias de padrões inalcançáveis e pré-julgamentos, servindo como parâmetro para as relações sociais. O espaço que deveria ser utilizado para entretenimento e maior aproximação entre as pessoas, torna-se tóxico, sendo capaz de controlar a vida das pessoas da mesma maneira que ocorre no episódio. A exposição das pessoas nesse meio permite uma quebra de privacidade que auxilia esse controle.
Concomitantemente, no período da ditadura militar no Brasil foi criado um órgão de controle da mídia, que censurava e perseguia qualquer oposição ao governo. Nesse contexto, a censura contemporânea ocorre na internet, por meio de algoritmos que utilizam os dados dos internautas e direcionam anúncios a partir desses dados, provando que não existe privacidade total na internet, e que as informações que chegam até as pessoas são manipuladas. A exemplo disso, a consultoria Cambridge Analytics coletou dados dos usuários do facebook, para fins políticos, segundo o criador da rede, Mark Zuckerberg. Essa forma de totalitarismo é desconhecida para a maioria dos usuários, ocorrendo de forma velada.
É fato que a internet no contexto atual configura-se de forma totalitária, sendo necessário mudar o olhar da sociedade em relação a essa plataforma. Cabe às escolas e faculdades, por meio de seus recursos, promoverem palestras - utilizando as redes sociais para maior alcance, com o objetivo de alertar sobre as formas de controle no mundo cibernético e como evitá-las. Além disso, as redes sociais devem criar um sistema que permita que o internauta escolha o tipo de informação que deseja receber, por meio de atualizações do aplicativo, visando mais privacidade e autonomia em relação aos conteúdos acessados.