Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 11/05/2020
Em 1964, fora aplicado um golpe militar no Brasil que deu início ao período da ditadura militar, a qual oprimia, de forma invasiva, qualquer objeção ao modelo de governo - torturas, prisões, difamação e até mortes de pessoas - sendo possíveis pelas intensas fiscalizações policiais de toda ação suspeita. Cinquenta e seis anos depois, é possível observar traços desse revés repetindo-se por meio das ferramentas da tecnologia, presentes no estilo de vida dos brasileiros. Isso se dá pela possibilidade do uso de cookies pelos sites - ferramentas de sonda de informações do usuário - e suas consequências.
Primeiramente, deve-se destacar que o uso de algoritmos pré estabelecidos no meio virtual para a obtenção de informações dos indivíduos aponta para uma invasão de suas intimidades. O benefício obtido ao ter suas preferências previamente gravadas e conhecidas - como sugestões mais assertivas de produtos oferecidos - não supera a desvantagem de ter sua privacidade violada. É notório que a manipulação cibernética tem feito cada vez mais vítimas, principalmente no âmbito político, no qual ideologias e bandeiras são constantemente levantadas e obtêm sucesso em úmero de seguidores. Nas nas redes sociais são travadas verdadeiras “guerras virtuais” que “cancelam” usuários conforme seu posicionamento ante a uma questão levantada.
Consequentemente, o perigo incumbido na anomia da internet tem causado alienação dos indivíduos por meio da propagação de ‘fake news’ que guiam o público conforme o objetivo. O filme ‘Nerve: Um Jogo Sem Regras’ conta a jornada da personagem Vee - interpretada por Emma Roberts - uma jovem estudante que tem sua vida e de seus amigos e familiares postas em risco por um jogo digital que captura informações de quem o acessa e usa-as para manipular suas ações. Fora da ficção, esse cenário se repete, pois o uso das informações capturadas pelos algoritmos têm o potencial de levar os indivíduos às decisões mais improváveis, tanto de forma sutil - por propagandas e informações diariamente propagadas de acordo com o objetivo - quanto de maneira agressiva - com opressividade com base no domínio dos dados da pessoa.
Infere-se, portanto, que duas medidas devem ser tomadas para solucionar possíveis formas de totalitarismo no atual cenário tecnológico. O Estado deve prevenir a nação desse perigo iminente, vigorando uma lei de prevenção à alienação e ao golpe digital por meio do poder legislativo, que defina um nível máximo seguro de informações que um site pode obter dos seus usuários, para que possa ser preservada a sua privacidade. Deve-se, ainda, ser criado, pelo Ministério da Educação, um programa público dedicado à formação e recrutamento de cidadãos nos diversos setores da esfera digital, por meio dos centros universitários já disponíveis a fim de se obter um maior preparo nesse combate.