Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 13/05/2020

Em 2013, o Governo Obama passou por uma crise moral devido a sigilosas informações vazadas por um ex-funcionário da CIA. Detalhes do funcionamento de alguns programas de vigilância do país que espionavam a população americana e até mesmo a ex-presidente Dilma foram revelados, segundo o jornal G1. Grandes debates foram levantados acerca dos limites da privacidade on-line e sua violação. Nesse contexto, cabe analisar o uso da internet como nova forma de totalitarismo.

Mormente, deve-se falar sobre a questão do direcionamento de informações. Isso porque os algoritmos acompanham os gostos dos usuários por meio de interações, como curtidas, e, gradativamente, selecionam restritos conteúdos. Com esse artifício, em 2018, a Cambridge Analítica, empresa privada, usou dados de pessoas no Facebook com o objetivo de atrair possíveis eleitores que se identificassem com Donald Trump, favorecendo sua vitória à época. Resultado desse cenário e apoiado ao slogan “Make América great again”, o atual presidente dos EUA, foi aclamado como único salvador da pátria por parte do povo, defendendo-o apaixonadamente de críticas da oposição mostrando, assim, o comportamento de culto ao líder que é comum em Governo totalitários.

Ademais, vale falar do uso do terror virtual. Isso se deve à propagação de fake news com fotos e vídeos montados, em aplicativos sociais como Whatsapp, que apelam com suas notícias sensacionalistas ao lado emocional do leitor e espalham-se rapidamente. A exemplo desse fato, fala-se da caça e morte de primatas, em 2017, após inúmeros brasileiros, pelo método citado, afirmarem que eles que transmitiam o vírus da Febre Amarela. Muitas pessoas, além de utilizarem redes sociais como fontes únicas de pesquisas, não possuem o hábito de verificar a procedência do que leem, seja por falta de tempo ou de interesse. Como consequência disso, observa-se o fenômeno da legitimação da violência e a histeria coletiva, já que não há reflexão crítica acerca do que se encontra na internet.

Infere-se, portanto, que inúmeras são as consequências do mal uso da internet. É imperiosa a intervenção do Estado, no Brasil e mundo, o combate a esse tipo de invasão e na proteção dos dados de seu povo com a criação de leis e punições com pagamento de multa e o dinheiro delas ser revertido para alguma área social necessitada. Além disso, faz-se necessária a adição da educação digital na grade escolar  pelo Ministério da Educação, por meio de decreto, em que professores de sociologia promoverão com palestras a importância da busca da fonte de informações nas notícias lidas na web, a fim de estimular o senso crítico, procura do conhecimento e cercear o avanço de fake news. Criam-se, assim, maneiras da internet não ser palco do Totalitarismo, como um dia a Terra foi.