Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 14/05/2020

Embora boa parte da população mundial desconheça o fato, o “vírus” chinês mais nocivo em nossos dias não é o transmitido por bactérias, a partir da cidade de Wuhan. É, todavia, um velho conhecido da história mundial recente, que esteve em baixa por muito tempo, mas encontrou no avanço tecnológico a ferramenta ideal para impor seu plano letal, que é a supressão da liberdade dos indivíduos. Me refiro ao totalitarismo e em um primeiro momento ao chinês, já que o regime deste país é o que mais avança para ter controle total sobre a vida de seus cidadãos.

A China, embora capitalista, tem adotado ações para estabelecer esse controle, instalando câmeras de monitoramento e reconhecimento facial pelas cidades e criando uma ferramenta de score social que fará com que os próprios cidadãos monitorem uns aos outros. Alguns países com regimes democráticos não amadurecidos podem seguir o exemplo chinês, pois as tecnologias disponíveis - como a big-data, internet das coisas e sistemas algorítmicos cada vez mais avançados - além de grandes empresas mundiais, que através das redes sociais, também monitoram o comportamento de bilhões de pessoas, possibilitam esse controle.

Essas ações afrontam diretamente os direitos humanos de primeira geração, presentes na Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), os quais garantem à cada indivíduo o direito à vida, liberdade, segurança e propriedade. Essas garantias são violadas na medida em que um governo ou empresa privada, passa, implacavelmente, a monitorar a vida dos indivíduos, obtendo informações sobre todos os aspectos íntimos e particulares de sua vida privada. O problema se agrava quando o objetivo dessa violação é estabelecer controle sobre ações e vontades, objetivando punir ou eliminar opositores. Estamos diante de um momento perigoso da história, o qual demanda ações rápida e assertivas dos principais governos democráticos do mundo, bem como da ONU. Estes precisam regulamentar o setor tecnológico e proibir ações tanto de empresas privadas quando de regimes que visem destruir os direitos já alcançados. Cabe a cada um de nós, como cidadãos e detentores desses direitos, fiscalizar e cobrar essas ações