Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 17/05/2020
O livro “1984”, de George Orwell, retrata uma sociedade distópica regida por um modelo político totalitário, em que a população sofre com a perda da democracia e da privacidade. Fora da ficção, a sociedade encontra-se no mesmo regime, embora este se expresse em outras proporções na era tecnológica. Assim, o uso dos dados do usuário por empresas capitalistas para diferentes fins, existente devido a ausência de uma legislação consistente, contribui para a criação de uma sociedade totalitária semelhante a de Orwell e, portanto, merece um olhar mais crítico de enfrentamento.
Primeiramente, o fácil acesso do Governo e de outras empresas a dados pessoais dos cidadãos, com o objetivo de monitoramento ou coleta para o direcionamento de propagandas, é uma das manifestações totalitárias na era tecnológica. Já que utiliza das mídias sociais para direcionar propagandas a um determinado grupo, obtendo informações e histórico de pesquisa dos usuários, por exemplo, realidade retratada pelo documentário “Privacidade Hackeada”. Por consequência, tal comportamento configura-se como um problema pois, segundo a lei “Imperativo Categórico”, de Kant, uma prática só deve ser realizada se essa puder tornar-se universal, no entanto, se todos invadissem a privacidade de todos, a sociedade entraria em profundo desequilíbrio. Portanto, é imperiosa a criação de uma legislação mais rígida, que vise proteger a privacidade dos usuários.
Ademais, outra consequência do acesso aos dados dos usuários é a perda da democracia. O caso da Cambridge Analítica, por exemplo, é prova do poder do uso de dados na influência de processos eleitorais, visto que essa utilizava dos dados coletados para direcionar propagandas políticas e fake news, influenciando os eleitores a votar em determinado candidato. Dessa maneira, a massificação de propagandas leva o eleitor a perder sua autonomia eleitoral, visto que passa a se inserir em um estado de menoridade Kantiana, onde o indivíduo encontra-se incapaz de tomar decisões sem a influencia de meios externos. Sendo necessário, portanto, capacitar os cidadãos para navegar em rede.
Por conseguinte, torna-se imperiosa a ação estatal para atenuar as problemáticas supracitadas. O Governo, por meio do Ministério da Educação, deve promover palestras e debates nas escolas, ministradas por especialistas da área de tecnologia e marketing, que instruam os alunos sobre análise de informações e checagem de dados, visando exercitar o pensamento crítico e torná-los capazes de tomar decisões por conta própria (maioridade kantiana). Além disso, o poder Legislativo deve criar um conjunto de leis que visem proteger os dados do cidadão, instituindo um pagamento de multa aos que as infringirem. Desse modo, a sociedade se livraria do totalitarismo e se afastaria da distopia de Orwell.