Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 14/06/2020
As ditaduras que marcaram o século XX tiveram como característica a brutalidade e a coesão física. Modernamente, o avanço tecnológico possibilita o surgimento de totalitarismos mais sutis, nos quais os dominados entregam sua liberdade voluntariamente. Tais relações de poder nascem a partir da manipulação do medo e da dominação ideológica.
Inicialmente, destaca-se como um dos elementos precípuos para a dominação das massas o uso dos temores coletivos como projeto político. Segundo o filósofo polonês Zigmunt Bauman, vive-se em uma sociedade do medo, e a partir da identificação da demanda popular por segurança, impõe-se uma solução imediata: vigilância total. Nesse contexto, a proliferação de câmeras de segurança e métodos de rastreamento digitais são maneiras pelas quais abre-se mão espontaneamente da privacidade em troca de proteção. Tal barganha torna possível o uso mal-intencionado de informações pessoais por líderes autoritários para cercear as liberdades e garantias individuais.
Adicionalmente, cumpre salientar que a tirania contemporânea não é exercida por meio da violência, mas tão somente pelo controle das ideias. Nesse paradigma, faz-se relevante o advento das redes sociais, pois a partir delas legitima-se o controle direto e demagogo das massas. Assim, como afirma a obra “Como as democracias morrem”, o mundo virtual esvaziou o prerrogativa das instituições tradicionais, como os partidos políticos, de filtrar os candidatos extremistas e autoritários. Por conseguinte, permite-se eleições baseadas em mentiras e ideias radicais propagadas pelas redes sociais.
Diante do exposto, torna-se clara a necessidade de pensamento crítico e independente. Portanto, é responsabilidade conjunta da sociedade civil, em particular da imprensa e da escola, com o objetivo fortalecer a democracia, não permitir a fortalecimento das ideias autoritárias. Isso deve ocorrer por meio campanhas que estimulem o uso consciente das novas tecnologias e alertem para os perigos da perda da privacidade. Dessa maneira, poderemos desfrutar das inovações tecnológicas ao mesmo tempo que a liberdade individual é resguardada.