Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 17/06/2020

“Enquanto houver lugares onde seja possível a asfixia social; enquanto sobre a terra houver ignorância e miséria livros como este não serão inúteis, afirmou Victor Hugo no prólogo de “Os miseráveis”. Embora escrita no século passado, a constatação do escritor francês ainda é válida para o atual século, principalmente quando se percebe novas formas de totalitarismo na era tecnológica. Analogamente , a humanidade ainda se vê “miserável” , seja pela ausência de liberdade individual, seja pela opressão.

A princípio, é notório ressaltar que a ausência de liberdade individual está intrinsecamente ligada as novas formas de totalitarismo. Sob esse prisma, observa-se que na década de 90 houve uma ascensão de regimes autoritários, a exemplo dos líderes Hitler, Mussolini e Franco, presente consecutivamente na Alemanha, Itália e Espanha. Nesse contexto, nota-se que na atual conjuntura há diversas ferramentas tecnológicas utilizadas para manipular os indivíduos, como a monitoração de comportamentos e a exposição desses publicamente. Tal fato ocorre na China , segundo dados do jornal Folha de São Paulo. Contudo, em todo o mundo encontra-se tais ações, a exemplo do Brasil , o qual em sua Constituição Cidadã assegura o direito á liberdade individual , mas o contradiz ao permitir que a mídia controle as escolhas de seus usuários. Desse modo, a sociedade torna-se vítima da “asfixia social”.

Ademais, é seguro ratificar que a opressão é fruto das novas formas de totalitarismo. A luz dessa perspectiva , o filósofo Aristóteles estava correto ao afirmar em sua obra “Ética a Nicômaco” , o conceito de “eudaimonia”, ou seja , a felicidade dos cidadãos. Todavia, na contemporaneidade  presencia-se elevados índices de opressão, proporcionadas pela mídia ao idealizar estilos de vida e recriminar outros, como campanhas de beleza, consumo alimentício , vendas de casas entre outros , os quais tende a marcar uma padronização do belo e do ideal a ser feito , o que comprova a opressão no meio midiático. Dessa forma, verifica-se a ausência de “eudaimonia” no meio tecnológico.

Logo , em virtude dos fatos supramencionados , urge a mudança . Faz-se necessária a participação de Ongs, as quais irão trabalhar a favor da liberdade individual, por meio de campanhas e “outdoors” .Com o intuito de disseminar informações sobre a importância dos cidadãos reivindicar seus direitos. Juntamente a esse fato , o Estado na figura do Poder Executivo deve efetivar o direito previsto na Magna carta , e designar como crime inafiançável  toda e qualquer opressão , a fim de exilar as formas de totalitarismo no meio digital. Além disso , é imprescindível que o Estado na figura do Poder Legislativo crie leis que impossibilite o poder midiático de criar novas formas autoritárias, dizimando a “asfixia social”. Doravante , a realidade proposta por Hugo poder-se-á ser mitigada .