Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 19/10/2020
“1984” - George Orwell, a obra faz uma crítica aos governos autoritários expondo o grande irmão como diretor da vigilância excessiva, utilizando métodos como fake news para manipular a história e a comunidade. Contudo, observa-se, na contemporaneidade, novos moldes tirânicos no setor da inovação, de modo que alavanca regimes autocráticos operando, assim, a mídia como controle social. Nesse contexto, surge a negligência do poder público, bem como a indústria cultural apoiada nesse impasse.
Deve-se pontuar, de início, a negligência do poder público acerca das novas formas de totalitarismo na era tecnológica, posto que o Estado permite estruturas de controle sob a sociedade, configurando a insuficiência da fiscalização do círculo virtual, todavia, viabilizando o manuseio de informações falsas para a população. De acordo com a Constituição de 1988, “É dever do Estado garantir a liberdade de expressão e a integridade, de forma que assegure a dignidade e à cidadania do indivíduo”. Nesse sentido, o Estado rompe com essa simetria, dado que o mesmo modifica as estatísticas com o intuito de simular a estabilidade da sua administração, além de tentar limitar os ideais da oposição.
Outrossim, é necessário enfatizar a contribuição da indústria cultural de maneira congruente aos modelos autoritários na esfera da tecnologia de ponta, uma vez que a mídia sensacionalista constitui o cárcere mental em torno da realidade, com a finalidade de restringir o transcender de uma consciência autônoma. Segundo Adorno e Horkheimer, “A sociedade determina códigos, leis ou regras morais que independem da escolha ou vontade do indivíduo, impondo-se e coagindo-o". A partir desse ponto, nota-se que a realidade é conduzida por sistemas totalitários, visto que os meios de difusão de informação em conjunto com o Estado distanciam o indivíduo da condição real do mundo, a qual estamos imersos a simulações mútuas de poder e coibindo a seguir suas normas éticas.
Entende-se, portanto, que as novas formas de totalitarismo acorrentam a população dentro de seus protótipos. Assim sendo, é responsabilidade do Ministério da Educação, por intermédio das escolas, implantar na grade didática do ensino médio, mecanismos de informações e discursões sobre temas relativos aos impactos da autocracia presente na ala tecnológica, a fim de despertar a atividade pensante. Em suma, cabe ao Ministério Público, por meio das prefeituras municipais, viabilizar verbas do orçamento público para projetos que visam o estimulo à liberdade reflexiva, sobretudo nas áreas de baixa rentabilidade, além de aplicar campanhas de abrangência nacional junto às emissoras abertas de televisão, com o intuito de reduzir gradativamente a arbitrariedade no corpo social em relação as variadas formas de autocracia e despertando o discernimento da realidade.