Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 22/07/2020
O episódio “Queda Livre”, da série “Black Mirror”, retrata uma comunidade que funciona à base de avaliações em redes sociais, de modo que cada pessoa possua uma nota que defina sua posição na sociedade. Nesse contexto, há um alerta para novas formas de totalitarismo na era tecnológica, ao ressaltar o poder da tecnologia sobre as relações humanas em paralelo a sua influência no modo de vida contemporâneo. Destarte, é necessária cautela com o avanço tecnológico, para que ele não resulte em malefícios à humanidade.
Em primeira análise, grande parte das relações sociais no século XXI baseiam-se apenas na troca de mensagens de texto. Por certo, o surgimento de aplicativos como o “Instagram”, por exemplo, diminuiu as interações físicas, principalmente entre os jovens, o que é extremamente prejudicial ao desenvolvimento das habilidades de comunicação, pois a pessoa passa a ser depende do meio digital para comunicar-se. De acordo com o conceito de “Banalidade do mal”, da alemã Hannah Arendt, comportamentos malignos que repetem-se com frequência são tidos como banais, sendo possível estabelecer uma relação com essa submissão à tecnologia, uma vez que ela não é vista como maléfica por quem a sofre. Dessa forma, o ser humano é nocivo a si próprio através do uso de ferramentas digitais criadas por ele.
Outrossim, é indubitável a influência tecnológica no estilo de vida atual. Certamente, os influenciadores digitais possuem enorme impacto nas escolhas cotidianas de seus seguidores. Segundo a “Alegoria da Caverna”, do filósofo Platão, quando os indivíduos vivem uma projeção de algo irreal, são incapazes de perceber a verdade. Essa teoria aplica-se a situação argumentada, pois, por idolatrarem modelos de vida irreais expostos online, os indivíduos tentaram cada vez encaixar-se nesse padrão inexistente. Logo, a tecnologia, de certo modo, contribui para uma censura da realidade.
Evidencia-se, portanto, o cuidado indispensável durante o acompanhamento da evolução tecnológica. Diante disso, cabe à Organização das Nações Unidas criar um projeto para monitorar o progresso do mundo digital, por meio de relatórios anuais de todos os países sobre seus avanços tecnológicos. Essa medida deve ser aplicada respeitando as leis de privacidade de cada governo, a fim de que nenhum cidadão tenha seus direitos violados por esse monitoramento. Sendo assim, poderá ser evitado viver em uma distopia como a de “Black Mirror”, na qual conceitos como liberdade e autenticidade são mais teórico do que reais.