Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 25/06/2020
Durante o século XX, governantes totalitários nazifascistas, como exemplo de Hitler e Mussolini, utilizaram das propagandas e de outros meios de comunicação das massas para obterem controle ideológico sob a sociedade. Na atualidade, com o advento das tecnologias de informação, a internet se torna esse mecanismo manipulador, de maneira que, com a configuração de uma rede comunicativa, o controle coercitivo se legitima de maneira mais sutil no corpo social. Assim, a manipulação das massas passa a ocorrer também de modo individual e, com a agilidade das tecnologias de interação, torna-se facilitada a propagação de anúncios e notícias com base ideológica.
Inicialmente, é válido ressaltar que o uso das tecnologias permite um controle manipulador mais específico pelo Estado. Isto é, segundo Hannah Arendt, o chefe de estado totalitário constrói um mundo ideológico fictício, no qual, por meio das leis e da violência, o legitima para as massas. Entretanto, na atualidade, observa-se que esse controle se torna mais individualizado, uma vez que as pessoas conectadas na rede, ao exporem seus dados e informações, permitem uma manipulação mais específica e embasada nos seus interesses e valores pessoais. Desse modo, o mundo globalizado admite a construção de uma liberdade ilusória e a perda identidade pessoal.
Além disso, é importante mencionar a facilidade na propagação de anúncios com base totalitária, proporcionada pela Era tecnológica. Exemplo disso é visto na série televisiva “Control-z”, na qual um hacker, por meio de postagens em redes sociais e do disparo de mensagens em massa expõe, em segundos, informações pessoais dos alunos do Colégio Nacional. Nesse sentido, infere-se que as tecnologias de interação comunicativa proporcionam rapidez e agilidade no que tange à disseminação de conteúdos e, no contexto político, permitem que o governante realize, mediante propagandas digitais, um controle manipulador mais abrangente. Logo, são necessárias medidas para que o mundo cibernético não instaure a anomia social.
Portanto, é imprescindível que haja uma intervenção estatal para mitigar essa conjuntura. Para tal, o Ministério da Cidadania deve, por intermédio de abas em sites e aplicações, possibilitar a escolha na restrição do uso de dados pessoais e no bombardeamento de anúncios ¬ por parte de instituições públicas e privadas. Essas abas funcionariam de modo a proporcionar ao usuário a capacidade de escolha na permissão do uso de suas informações, além de limitar as propagandas visualizadas apenas em seus interesses individuais. Por conseguinte, a utilização das tecnologias para controle ideológico seria limitada e, assim, os indivíduos desenvolveriam seu senso crítico e impediriam a consolidação do cenário totalitário no mundo atual.