Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 23/02/2021

Capitalismo de vigilância foi o termo criado pela pesquisadora Shoshana Zuboff para definir o novo capitalismo, em que nossos as empresas, infelizmente, nos espionam. As grandes empresas de redes sociais capturam nossos dados, fazem perfis detalhados sobre nós e os vendem para os patrocinadores, assim gerando uma nova forma de totalitarismo corporativo: a manipulação de dados autoexpostos.

Convém lembrar que a manipulação de dados não é recente. Gutenberg, o pai do jornalismo, afirmava que imprensa era “um exército com que se podia dominar o mundo”, fazendo uma clara alusão ao poder de manipulação que ela exercia. Logo, podemos concluir que os dados sempre tendem a serem manipulados para algum propósito.

Ainda que os dados tendam a serem manipulados, o que por si só é inadmissível, a forma de obtenção deles mudou. Para conseguir dados sobre paradeiros de criminosos, contando com centenas de agentes e especialistas em diversas áreas que desenvolviam uma operação de guerra para buscar essas informações, os Estados Unidos construíram a CIA. Atualmente, de acordo com Jack Schafer, ex-agente da CIA, o trabalho da agência se resume a vasculhar redes sociais por dados autoexpostos.

Portanto, é óbvio que as empresas se aproveitariam dessas informações. As consequências são visíveis: a eleição americana de 2016, e também a brasileira de 2018, são suspeitas de serem manipuladas por dados coletados por empresas.

Em suma, se o cerne da questão são os nossos dados pessoais, precisamos saber quais são os dados que as empresas têm de nós. É preciso que o legislativo, pela Câmara de Deputados, urgentemente crie um Projeto de Lei (PL) que obrigue as empresas a mostrarem quais são os dados que elas têm de cada indivíduo e proíba o recolhimento de novos dados. Essa medida irá propiciar mais conhecimento individual, e, com tempo, o número de manipulados corporativos irá cair drasticamente.