Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 31/07/2020
A série americana “Black Mirror” retrata, por meio de episódios independentes, a relação do homem com a tecnologia, com um enfoque nos impactos negativos desta nas interações sociais. Embora seja uma obra fictícia, muitas das histórias se relacionam com o observado na hodiernidade, com as tecnologias sendo utilizadas de forma nociva para atingir interesses individuais, como o observado na manipulação da população, o que gera um aumento nas formas de totalitarismo. Faz-se necessário, portanto, debater as causas e consequências da questão, a fim de atenuá-la.
Diante desse cenário, é importante ressaltar os motivos que levam governos e grandes coorporações a exercer tal controle sobre a sociedade, como a necessidade do monitoramento de informações para benefício próprio. Durante o período do Estado Novo, Getúlio Vargas utilizou de forma eficaz os meios de comunicação comuns da época, como o rádio, como forma de divulgar seu governo, aumentar a repressão e criar mecanismos para difundir seus interesses para o país. De forma análoga, muitos governantes atuais se utilizam das mídias digitais para realizar atos semelhantes, o que contribui para agravar o problema, visto que grande parte da população não percebe os mecanismos de censura e manipulação.
Por conseguinte, ainda convém lembrar as consequências da questão, como a alienação gerada, por exemplo. Sem o direito de livre expressão de ideias e com o monitoramento constante, grande parte da sociedade torna-se alvo fácil de dominação por determinados grupos. De acordo com as ideias do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento acerca do mundo. Assim, a ausência de espaços livres de ideologias cria “muros”, interferindo no entendimento da realidade, o que pode facilitar a ascensão de grupos que se utilizam de tais métodos para influenciar o pensamento dos cidadãos, acentuando a problemática.
É perceptível, dessa maneira, que o surgimento de novos regimes totalitaristas na era tecnológica é um grande entrave na contemporaneidade e, por isso, é imprescindível que a escola busque amenizar o problema, por meio da discussão do tópico em aulas direcionadas, nas quais profissionais específicos expliquem aos alunos os riscos existentes nas redes sociais e as estratégias utilizadas para manipular o pensamento dos usuários, a fim de reduzir a influência de grandes grupos. Ademais, é necessário que mais discussões sejam estimuladas, para garantir a liberdade de expressão assegurada pelo artigo 2º da Constituição Federal, permitindo a livre troca de ideias. Desse modo, será possível minimizar a questão, assegurando para que os desafios retratados pela série americana possam permanecer apenas na ficção.