Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 09/08/2020

No filme americano de suspense “Hush - a morte ouve", a protagonista é uma jovem deficiente auditivo e sua casa é invadida por um homem mascarado, sem que ela consiga perceber. De maneira mimética, a situação narrada no filme pode ser associada às formas de controle como, vigilância constante por câmeras e direcionamento de conteúdos na internet, as quais são realizadas sem a ciência dos indivíduos. Além disso, esse totalitarismo tecnológico transvestido de segurança e personalização ocorre devido à ganância por poder e à busca por formas mais efetivas de se obter lucro.

Primeiramente, a “docialização” da sociedade é um plano perfeito de controle máximo, pois indivíduos dóceis são facilmente manipulados. A esse respeito é cabível citar o documentário “A Era dos Dados”, no qual é exibido formas de monitoramento por câmeras com inteligência artificial, a qual inclui reconhecimento de face, de emoções e um banco de informações sobre a população de países como a China. Consoante a isso, o sociólogo e filósofo Michael Foucault, afirmou que essa estratégia de vigília é aplicada em diversos setores da esfera social como prisões e escolas, com o intuito de monitorar e canalizar poder. Nesse sentido, essa forma vigorosa de controlar pessoas é inadmissível, pois viola um dos direitos naturais, a liberdade individual.

Outrossim, a personalização de conteúdos a serem vistos na internet, direcionadas por algoritmos se configura, inicialmente, como uma forma de conceder aos indivíduos exclusividade e facilidade. No entanto, ao direcionar conteúdos e produtos para os consumidores em potencial, ocorre limitações no direito de escolha, sendo assim uma forma de censura com objetivo lucrativo. Além disso, esse direcionamento pessoal é realizado com coleta de dados da pessoa e referente a isso, no ano de 2014, Mark Zuckerberg -fundador do “Facebook”- foi acusado de expor dados de usuários em troca de contratos comerciais, de acordo com o jornal “Exame”. Em vista disso, essa falsa adequação infringe a privacidade individual utilizando dados sem permissão, o que é inaceitável pois fere a Lei Maior.

Infere-se, portanto, que o totalitarismo tecnológico tem se anexado de forma rápida e silenciosa, necessita-se, pois a tomada de medidas para sua extinção. Para tanto, a ONU (Organização das Nações Unidas) deve propor delimitações no que tange às formas de controle tecnológico sob indivíduos. Isso, de modo a promover acordos que sancionem países e governos que possam vir a transgredi-los, com o fito de que as formas abusivas de poder não se perpetuem, garantindo assim os direitos humanos de liberdade e de propriedade. Assim sendo, espera-se que o cenário mundial, tenha seus lares físicos, virtuais e pessoais protegidos contra qualquer invasão, de forma antagônica ao filme. de suspense.