Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 23/08/2020
A obra americana “O Conto da Aia” retrata uma distopia na qual a perda de direitos fundamentais foi feita de maneira silenciosa e, portanto, sem que a sociedade sequer perceba o retrocesso democrático. Ao longo das páginas, evidencia-se os efeitos do totalitarismo em desmoralizar e alterar a estrutura da modernidade. Nesse contexto, na era tecnológica, o perigo de uma possível regressão tal como o do conto não é impossível, visto a grande manipulação de dados e a visível “caça às bruxas” que os livros sofrem. Logo, é preciso encontrar formas de se combater esse avanço totalitário nos dias atuais.
Em uma primeira perspectiva, o controle de dados proporcionado pelas grandes empresas das redes sociais se destaca como uma verdadeira forma de manipulação do indivíduo. Nessa caótica conjuntura, a repetição de anúncios e assuntos mais pesquisados na rede pelas pessoas faz com que haja a formação de “bolhas superficiais”, na qual a sociedade se torna refém de informações repetitivas e facilmente atingida pelas ideias que são replicadas nas mídias sociais. Steve Jobs, afirmava que a tecnologia move o mundo, sob essa ótica pode averiguar-se que caso o governo queria que o corpo social seja influenciado por suas ideias totalitárias é preciso comprar esses dados pessoais das empresas e compartilhar seus conteúdos nas mídias, para que assim ela entre no inconsciente coletivo, tal como propagandas publicitárias.Dessa forma,a tecnologia auxilia o projeto governamental totalitário.
Ademais, vale ainda destacar que os ataques aos livros que correm na atualidade fazem parte de um processo de controle maciço. Nesse cenário, devido às leis vigentes nos países, é difícil censurar diretamente a cultura, logo, existem outras formas para esse processo, como o encarecimento das obras. Essa prática promove a exclusão do acesso à literatura de uma parcela relativa da população, o que afeta o desenvolvimento crítico dos indivíduos que estão às margens da sociedade e precisam lutar pelos seus direitos. No Brasil, há um projeto de lei em trâmite que visa aumentar o preço das obras, o que demonstra uma tentativa de afastar a população do acesso à essa cultura fundamental. Nesse sentido, a era tecnológica não afeta apenas o campo da internet, mas também o espaço físico, em que medidas totalitárias, apesar de mascaradas, estão presentes.
Torna-se evidente, portanto, que as novas formas de totalitarismo na era das tecnologias está presente tanto no controle de dados quanto na censura velada. Para reverter esse quadro, é preciso que a ONU (Organização das Nações Unidas) faça, em parceria com as empresas da internet, a criação de um departamento que regule os dados dos usuários, por meio da instituição e fiscalização das informações presentes e a proibição da venda desse conteúdo, a fim de garantir a segurança do indivíduo e evitar sua manipulação. Dessa maneira, o futuro distópico de Aia pertencerá apenas ao plano literário.