Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 02/09/2020

O livro 1984 de George Orwell descreve uma sociedade distópica, regida por um sistema totalitário, no qual os governantes utilizam da destruição de registros históricos e da censura para manipular a população, com o objetivo de exercerem poder absoluto e vitalício. Consoante a obra, novas formas de totalitarismo surgem no âmbito hodierno, visto que, com auxílio dos adventos tecnológicos, muitos são os instrumentos utilizados a fim de manipular a população e construir uma sociedade aos moldes adequados a um determinado padrão de pensamento. Por conseguinte, casos como o da China e sua proposta da instituição de um crédito social, o qual tem por objetivo controlar a conduta dos habitantes chineses, se tornam mais comuns, corroborando para a debilitação da democracia e a manipulação em massa, problemas esses que são realçados em virtude da negligência do Estado em contê-los.

A priori, é fulcral destacar a manipulação da massa por meio de aparatos tecnológicos e da constante vigilância social. Sendo assim, de acordo com o filósofo Michel Foucault, os seres humanos são constantemente monitorados e condicionados à relações de poder em virtude das normas impostas pelos padrões sociais. Portanto, em consonância com o pensamento do filósofo, a sociedade se encontra veementemente manipulada e monitorada, tendo em vista que os indivíduos são moldados pelos padrões sociais impostos e manipulados por meio de propagandas televisivas e anúncios da internet, na qual se tem a coleta de dados de pesquisa do indivíduo para induzi-lo à compra de produtos, por exemplo.

A posteriori, é imperativo destacar a negligência do Estado no combate a tais maneiras de alienação da massa. De tal maneira, segundo o filósofo John Locke, o Estado é responsável por garantir os direitos inalienáveis ao homem, por meio de um contrato social. De mesmo modo, hodiernamente se mostra vigente tal desmazelo governamental, no que tange à garantia de liberdade aos indivíduos mediante à medidas restritivas às propagandas e aos instrumentos tecnológicos responsáveis por controlar o consumo e o pensamento individual.

Em síntese, infere-se que é de vital importância o combate ao surgimento de novas maneiras de totalitarismo, de censura e manipulação. Para tal, urge que o Ministério da Educação, em consonância com escolas e instituições privadas, crie políticas públicas de implementação de debates educativos em respeito das mazelas da censura e da manipulação que são ocasionadas pelas novas formas de totalitarismo, a fim de corroborar para a não alienação da população e para que se questione o que é imposto socialmente. Só assim ter-se-á uma sociedade distante da obra de Orwell e mais próxima ao avanço social e à contenção do totalitarismo.