Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 23/09/2020
Em meio à Quarta Revolução Industrial é percebido o impacto das tecnologias de informação na vida dos cidadãos, evidenciando uma gritante participação destas no cotidiano popular. No entanto, a era digital não trouxe apenas benefícios consigo, como visto em casos de notório controle do usuário na rede, formulando, assim, o conceito de totalitarismo tecnológico, no qual o indivíduo, muitas vezes, é manipulado pelos grandes sistemas de comunicação virtual, o que corrobora para uma automatização da população e uma perturbação na estrutura social em um âmbito cibernético, fato que se deve à manipulação do conhecimento difundido e à omissão informacional que atinge o público.
Em primeiro plano, o direcionamento da opinião de massas, através do controle da informação, é um agravante da problemática. Segundo o filósofo francês Michel Foucault: “A vontade de saber é reconduzida pela maneira de como o conhecimento está disposto numa sociedade”. Dessa maneira, a partir do momento em que os fatos difundidos em um corpo social são dispostos de maneira intencionalmente orientada por grandes sistemas digitais e autoridades, o conhecimento recebido pela população é ameaçado e a veracidade dos fatos é corrompida. Logo, é percebido que grande parte da divulgação é, em muitos casos, conduzida de acordo com os interesses das entidades superiores, como o Estado, fator que afeta a instrução dos indivíduos e mantém o conceito popular dominado.
Ademais, é significante observar como a carente exposição da realidade em uma sociedade afeta sua estrutura. De acordo com o escritor inglês Christopher Morley: “Não se converte uma homem quando o reduzimos ao silêncio”. Por isso, quando a grande parte dos cidadãos é fadada à desinformação, o conhecimento se torna fragmentado e a instrução popular se revela deficitada. Assim, graças à falta de transparência por parte dos veículos de comunicação, os quais omitem informações, afim de formar um pensamento dirigido, formulado de maneira unilateral, a coletividade social apresenta uma ideia automatizada, a qual foi criada por meio de fatos ocultados pelas entidades superiores.
Por todos esses aspectos, a questão do totalitarismo tecnológico, o qual caracteriza-se pelo controle do indivíduo na rede, é tida como um desafio. Sendo assim, empresas de comunicação digital, como a Anatel, juntamente aos usuários, devem, por meio de campanhas que visem garantir a veracidade da informação que circula, assegurar a exposição de notícias verdadeiras para que, assim, o meio tecnológico seja um ambiente seguro a todos e, desse modo, a a preservação da autenticidade no âmbito cibernético se torne um dos pilares da sociedade. Em suma, no contexto atual, a ordem e o progresso só serão alcançados no momento em que a divulgação informacional, por parte dos veículos de comunicação, seja genuína, associando a Quarta Revolução Industrial ao desenvolvimento social.