Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 02/10/2020
Na obra “Fahrenheit 451” de Ray Brudbury, é retratado um futuro distópico, em que o corpo social padroniza-se pela ausência de pensamento crítico e pela alienação. Isso se dá, em sua essência, pela proibição dos livros e o incentivo a aparelhos eletrônicos, decisões tomadas pelo governo. Analogamente, é fato que a realidade abordada por Brudburry pode ser relacionada à sociedade contemporânea do século XXI: gradativamente, o avanço da tecnologia e o controle da informação corroboram para uma grande “paralisia” sociocultural diante a população, facilitando o processo de subordinação dos cidadães. Dessa forma, é fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Primeiramente, é notório que, o avanço da tecnologia contribui possui diversos aspectos positivos, entretanto, é uma ferramenta que contribui com diversos pontos cruciais na determinação da liberdade das pessoas, como visto na distopia de Brudbury. Esse fato ocorre, em sua essência, pela falsa sensação de liberdade que as pessoas têm ao utilizar tais mecanismos. Em outras palavras, a internet também está sendo utilizada com forma de submissão, em que muitas pessoas estão “presas”, em suas bolhas socioculturais, geradas por algorítimos da internet. Tal situação é retratada no documentário “O dilema das redes”. Outro fato que se assemelha com a situação atual, foi a queima de livros na Alemanha Nazista, com o intuito de destruir tudo que fosse crítico ou desviasse dos ideais nazistas.
Ademais, é imperativo ressaltar que a o controle da informação como promotor da problema. Partindo desse pressuposto, é perceptível que a população deve chegar a um consenso de que os mecanismos citados existem, e estão participando de nossas vidas. Dessa forma, o senso crítico dos indivíduos não será degradado por essa forma de manipulação. Na obra “Utopia” do filósofo contratualista Thomas Hobbes, é retratada uma sociedade perfeita, na qual as pessoas vivem na ausência de conflitos e problemas, sendo controladas pelo Estado. Fora da ficção, é possível notar que a sociedade contemporânea, cada vez mais, segue para o mesmo caminho.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática no Brasil. Dessarte, com o intuito de mitigar os desafios relacionados a manipulação e controle da informação, necessita-se urgentemente, que o Ministério de Educação e Cultura (MEC) incentive, por meio de políticas públicas, a leitura de livros, pois a leitura é de extrema importância para que a sociedade consiga ter noção do que está ocorrendo em sua volta. Somente dessa maneira será possível que nossa população se desvincule cada vez menos com o mundo virtual e consiga estabelecer o hábito da leitura. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do controle da informação.