Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 28/10/2020

O documentário “O Dilema das Redes” mostrou algumas consequências que o mundo tecnológico pode oferecer: a formação de extremos, o aumento das guerras civis e principalmente, a fácil manipulação de pessoas, facilitando a ascensão de um governo autoritário, ou seja, uma ameaça a democracia. Sendo esse problema evidente, discute-se, portanto, as novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Primeiramente, é importante evidenciar o cenário global atual: a ascensão da era digital, devido  o advento da revolução técnico científica informacional, sendo mister ressaltar os extremos contemporâneos. De um lado, ativistas manifestam a favor da paz e da democracia. De outro, crescem os números de neonazistas e a atração pelo fascismo e outros grupos não democráticos. O filósofo Hans Jonas afirma que a tecnologia não só trouxe poderes imensuráveis de utilização, mas também sérias consequências para a sociedade, que como cita Hannah Arendt, “banalizou o mal”. Logo, muitas ameaças a democracia passam despercebidas, como a alienação, realidades destorcidas e as “fake news”.

Outrossim, a Revolução Francesa. em 1789, marca um momento em que Jacobinos (esquerda) e Girondinos (direita) se unem para destronar o rei absolutista Luís XVI. Ou seja, extremos se associam pelo bem comum, diferente do que tem ocorrido atualmente. Após a Guerra Fria, com o fim do “Mundo Bipolar”, se instaura o “Mundo Multipolar”, mas ainda é evidente a radicalização, marcada pelos discursos de ódio e as “guerras” nas redes sociais. O escritor Aldous Huxley afirma sobre um “sistema de escravatura onde os escravos amam a escravidão”, inerente ao alheamento causado pela tecnologia, enaltecendo o totalitarismo, visando os próprios interesses e facilitando o domínio de regimes autoritários.

Fica evidente, portanto, que as novas formas de totalitarismo na era tecnológica configuram-se como um problema na sociedade contemporânea. O Poder Público deve por meio de projetos sociais e coletivos, em instituições de ensino e setores públicos, com o apoio de sociólogos, educadores e até políticos, estimular debates e conversas alertando a sociedade e garantindo a democracia, como ocorria na Ágora, na Grécia Antiga. Ademais, a mídia como difusora do conhecimento e da informação tem seu importante papel mostrando dados históricos e estimulando o livre pensamento e a paz. Logo, a democracia não será mais ameaçada em uma sociedade que pratica a liberdade de expressão e tem como base, o conhecimento.