Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 09/10/2020

No romance distópico de Ray Bradbury, Fahrenheit 451, o personagem Guy Montag narra sua vivencia em meio à um regime totalitário, no qual a tecnologia e a mídia eram deliberadamente influenciadas, enquanto todos os livros eram proibidos e destinados à fogueira. Nesse sentido, a narrativa foca na maneira em que o Estado controla e aliena o comportamento da população a partir da manipulação da mídia e da impossibilidade de aquisição de senso crítico-livros-. Desse modo, fora da ficção, é fato que no ápice da globalização o ser humano está atrelado ao meio cibernético e tecnológico, tornando-se suscetíveis a ideologias totalitaristas a partir de uma gama de informações disponíveis e manipuladas nesse meio.

Em primeiro lugar, é importante destacar que, em função da internet, os usuários encontram diversos conteúdos disponíveis de forma fácil, acessível e totalmente gratuita, porém, já dizia Zigmund Buman, a liberdade é ilusória. Dito isso, no documentário ‘‘O Dilema das Redes’’, funcionários do Vale do Silício-polo de tecnologia e informação- mostram que o caminho da web não é livre-muito pelo contrário-, e está a todo momento sendo guiado pelas empresas com a ajuda dos algoritmos inteligentes, que retém informações dos navegantes e utilizam a seu favor .Desse modo, tal repudiado sistema funciona a partir do fornecimento de conteúdos específicos, possibilitando a formação de pensamentos e a criação de posicionamentos a partir da manipulação do indivíduo através de suas respectivas informações.

Por conseguinte, tais bancos de dados, facilitam a difusão de ideários dominativos por meio da persuasão do indivíduo ,que, de acordo com a filósofa Hannah Arendt, as massas podem ser conquistadas, dominadas, e conduzidas ,e, por isso toda e qualquer propagada apresenta traços de coerção. Ademais, tal degradante cenário torna-se plausível de ser utilizado a favor de determinados governos e regimes políticos, que ganham a confiança e apoio popular subjugando a retórica midiática, como ocorreu na chegada do presidente Jair Bolsonaro ao poder, devido a sua forte publicidade no Facebook e a máquina de divulgação nazista, que deu forças a Hitler.

Portanto, é mister que o Estado tome  providência para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população brasileira acerca do problema, urge que o Ministério de Educação (MEC) crie campanhas nas mídias sociais que detalhem o funcionamento dos algoritmos para mitigar o atual panorama de alienação perante ao totalitarismo disseminado na era tecnológica, a fim de manter o internauta ciente da persuasão a que é submetido. Somente assim, será possível combater a passividade dos navegantes no país, lembrando que a internet é uma grande facilitadora na contemporaneidade ,entretanto, de acordo com Fahrenheit não há nada como o impacto de um livro.