Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 12/11/2020

A série da Netflix “O Dilema das Redes”, lançada em 2020, retrata o poder de influência das mídias sociais nos indivíduos por meio de algorítimos e sistemas de previsão dos interesses destes. Infelizmente, a constante manipulação do usuário pelo meio cibernético não se limita somente as telas, mas está presente de forma constante na realidade brasileira através da disseminação de notícias falsas associado a busca pela exemplaridade em meio a era digital.

Primeiramente, cabe abordar os impactos do totalitarismo tecnológico no aspecto político com a promoção de inverdades na internet. A difusão de notícias falsas na internet tem se tornado uma prática recorrente entre usuários que, uma vez que leem uma informação não se atentam a importância de averiguação dos fatos antes de compartilhá-los. Esse ocorrência causa grandes prejuízos na formação crítica dos cidadãos que, por internalizarem mentiras constantemente, têm seu senso crítico lesado. Tal fenômeno pode ser comprovado pela onda de polêmicas durante a penúltima eleição para presidência nos Estados Unidos que geraram críticas fortes por parte dos eleitores ao novo presidente, Trump, uma vez que sua campanha fora alicerçada na circulação de “fake news” de acordo com o jornal O Globo.

De igual modo, é importante associar a tese filosófica de Guy Debord com o controladorismo exercido pelas novas tecnologias comunicacionais. O filósofo em sua obra “Sociedade do Espetáculo” explica que os indivíduos não mais agem de forma espontânea, mas como em um espetáculo estão performando constantemente para o “público” ao seu redor. Esse fenômeno junto a ascensão das redes sociais tem gerado a busca compulsiva de uma grande parcela da população pela excelência por meio da imitação dos padrões de perfeição disseminados nas mídias, resultando em disfunções psicológicas nesses indivíduos que, impossibilitados de alcançar a perfeição, se sentem inferiores e insuficientes para a sociedade.

Portanto, medidas para solucionar esse impasse são necessárias. Assim cabe ao Governo Federal limitar a disseminação de notícias falsas e o controle excessivo dos algorítimos por meio da formulação de um projeto de lei a ser levado para a Câmara dos Deputados. Esse projeto deve conter punições claras para aqueles que promoverem inverdades nas mídias ou abusarem de seu poder de programação das plataformas, reduzindo assim as liberdades individuais dos usuários. Ademais, o mesmo órgão deve promover palestras e debates nas escolas públicas que incentivem a reflexão do fenômeno da “Sociedade do Espetáculo”, de modo que crianças e adolescentes possam interagir com as tecnologias de forma mais saudável e produtiva. Dessa forma, diferentemente do apresentado pela série da Netflix, o problema do totalitarismo tecnólogico poderá ser freado no Brasil.