Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 09/12/2020

Na obra distópica “V de Vingança”, o protagonista V vive em um governo autoritário, manipulador e vigilante para com seus cidadãos, negligenciando as vontades individuais de cada um em prol da manutenção do sistema político ditatorial. Analogamente, a internet tem sido um canal de atos governamentais de manipulação e vigilância do homem hodierno, sendo esse cada vez mais monitorizado em suas ações e escolhas. Por isso, faz-se imperioso apontar que o totalitarismo na tecnologia causa não apenas a imprevidência à liberdade dos usuários, mas também a crescente alienação dos cidadãos.

Nessa perspectiva, em governos opressivos como a China, por exemplo, o uso das redes é limitado pelo Estado, sendo isso uma forma de castração de críticas, opiniões e reflexões sobre a política atual. Visto o importante papel das redes sociais na derrubada de regimes totalitários como na Primavera Árabe, os governos visam monitorar os usuários por meio das câmeras frontais de celulares e webcams de computadores. Em casos mais extremos, algumas pessoas passam a sofrer perseguições políticas em razão de postagens no Twitter, por exemplo, chegando a ser exiladas do próprio país. De acordo com os direitos humanos estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião, cláusula completamente ignorada diante do totalitarismo na era tecnológica.

Além do mais, após a polêmica envolvendo o Facebook e a negligência da privacidade de seus usuários, grandes proprietários de redes sociais famosas que, possivelmente coniventes com os interesses do mercado e do Estado, induzem seus frequentadores a uma alienação consumista e política, usando o algoritmo virtual para isso. No que tange o assunto, a consequência disso é uma doutrinação ideológica nas próximas gerações, somadas à alienação parental e dogmas passados. Também, o homem hodierno vive cada vez mais isolado, vislumbrado com o consumo, gozo e artificialidade do agora, como aponta Bauman em seu livro “Modernidade Líquida”.

Assim, cabe ao Ministério da Educação, atrelado às secretarias municipais, promover um maior destaque de investimentos para o estudo das tecnologias e suas consequências, destinando o capital para diversos estados, com o objetivo de induzir o pensamento crítico em jovens e crianças ao usarem redes sociais. Ademais, obedecendo as cláusulas dos direitos humanos, diretores das mídias devem priorizar a privacidade de seus usuários, o direito da livre expressão e a criação de debates em fóruns, com o fito de induzir os frequentadores a debaterem sobre seus regimes políticos, principalmente ditatoriais. Dessa maneira, obras como “V de Vingança” ficarão apenas nos quadrinhos.