Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 27/11/2020
No livro “Cem anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez é retratado a história da cidade Macondo que é isolada mundialmente devido aos regimes totalitários pelos quais os países da América Latina foram submetidos. Paralelamente, apesar da ampliação dos direitos humanos que proíbem tal prática, vê-se que as tecnologias têm criado novas formas totalitárias no século XXI. Esse cenário é acentuado sobretudo pelo aumento do poder comunicativo das redes sociais e pela extrema polarização de ideias.
Em primeira análise, vê-se que, por causa do desenvolvimento tecnológico, cada vez mais pessoas têm tornadam-se dependentes das mídias, podendo ser facilmente manipuladas por elas. Nesse sentido, o documentário “O dilema das redes”, da “Netflix” retrata o papel das redes sociais no controle da individualidade humana, em que as informações são apresentadas de modo a moldar a opinião pública. Isso provoca a normatização de práticas abusivas como o totalitarismo, temática abordada pela filósofa Hannah Arendt em sua teoria da “banalização do mal”, que afirma que práticas ilegais, devido à sua constância, não são abordadas como problemas sociais. Dessa forma, as mídias têm manipulado as opiniões públicas, criando uma nova forma de censura e totalitarismo, comprovando a teoria de Hannah, pois é normatizado tal realidade.
Sob outro prisma, é notório que a alta fragmentação política tem auxiliado na difusão de novas formas de totalitarismo e na alienação social. Nesse viés, a Constituição Federal de 1988 surge assegurando a liberdade de pensamento e sua manifestação, todavia, devido à polarização de ideias, muitos movimentos totalitários têm sido mascarados de opiniões políticas, promovendo práticas autoritárias. Consoante ao jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein, em sua teoria da “Cidadania de Papel”, apesar de o Brasil possuir um conjunto de leis bastante estruturadas, elas ainda se atêm ao plano teórico. Desse modo, embora a liberdade de expressão seja um direito, ele ainda não é respeitado, principalmente devido às novas tecnologias e a polarização de ideais.
Torna-se, portanto, essencial que o Estado estabeleça medidas para amenizar o vigente cenário. Urge, pois, que o Ministério da Justiça e Segurança Pública – órgão responsável pela defesa dos direitos constitucionais – crie, juntamente as plataformas de comunicação, programas de monitoramento em práticas polarizadas e que desrespeitem os direitos humanos. Dessa forma, espera-se que, por meio de verbas governamentais, as novas formas totalitárias se extinguem e, somente assim, a realidade distanciar-se-á da proposta por Gabriel García Márquez em “Cem anos de Solidão”.