Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 09/01/2021

A distopia “1984”, de George Orwell, apresenta um futuro em que as tecnologias, simbolizadas pelas “tele-telas” que vigiam as pessoas constantemente, são utilizadas para monitorar a populaçã. Na contemporaneidade, há uma crescente aproximação com essa realidade perversa, já que o Estado e as grandes empresas de tecnologia, através de novas formas de totalitarismo, buscam controlar o comportamento dos indivíduos. Em virtude disso, a sociedade humana, gradualmente, torna-se alienada e intolerante.

Em primeira análise, é necessário destacar que as ferramentas digitais são utilizadas para garantir a manutenção de regimes autoritários. Sob essa ótica, o líder político de Myamar materializou o pesadelo de Orwell, na medida em que ele, por meio do Facebook, passou a manipular e vigiar a população local. Devido a isso, seguindo a lógica de Michel Foucault, a eterna vigilância nas redes torna, muitas vezes, o ser humano “dócil e obediente”. Dessa forma, é possível dominar a sociedade, com um “totalitarismo camuflado”, pois, ao vigiá-la, grande parte do corpo social acaba obedecendo cegamente ao líder, em um estado de alienação.

Ademais, a manipulação do comportamento do usuário nas redes sociais favorece a polarização social. Nesse viés, o documentário “O Dilema das Redes” denuncia a manipulação dos usuários feita por empresas do ramo tecnológico,como a Google e o Instagram. Elas utilizam algoritmos que avaliam as informações pessoais e direcionam as pessoas a determinadas postagens específicas. Com isso, fomenta-se a intolerância, visto que indivíduos com opiniões divergentes serão, majoritariamente, direcionados para postagens diferentes, gerando, uma divisão da sociedade em polos.

Urgem, portanto, medidas que atenuem a problemática. Para isso, os intelectuais, juntamente com as escolas, devem denunciar as formas de totalitarismo impostas tanto pelo Estado quanto pelas empresas, através de palestras e artigos de opinião, que mobilizem a sociedade. Tais medidas visam à construção de uma sociedade crítica e díspare da distopia de Orwell.