Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 03/04/2021
No período entreguerras, assistiu-se o surgimento de ideologias como o nazifascismo que, por meio de discursos tendenciosos, instauraram Estados totalitários extremamente violentos que, regidos por censura, manipulação e falta de liberdade de expressão, foram responsáveis por diversos crimes contra a humanidade. Hoje, com grandes avanços tecnológicos, o controle sobre a população se dá de formas mais discretas, como através do distanciamento provocado entre cidadãos e assuntos de políticas públicas e a enxurrada de informações a quais são expostos.
Primeiramente, é importante destacar que a globalização contribui fortemente para a concentração do poder de tomada de decisões nas mãos do Estado. Como consequência do desenvolvimento de tecnologias informacionais, os espaços públicos - que, na democracia grega, por exemplo, viabilizavam a participação política dos cidadãos nas práticas políticas - deixaram gradualmente de existir. Asssim, tornaram-se as redes e websites seus substitutos, de modo que aqueles sem acesso a esses recursos não conseguem participar ativamente.
Além disso, a abundância de conteúdos disponíveis para consumo cria cidadões passivos, desinteressados por questões que, a príncipio, deveriam fazer parte de seu cotidiano. Neil Postman defendeu que, no contexto pós 2ª Guerra Mundial, aumentou-se a atenção para que a realidade da obra 1984, de George Orwell, não viesse a se concretizar. Em contrapartida, isso abriu espaço para que a distopia de Huxley tomasse lugar. Ou seja, as pessoas estão presas a tantas informações simultâneamente, que sequer conseguem se atentar ao que acontece ao seu redor.
Dado o exposto, faz-se necessária a democratização do acesso à informação para evitar que governos autoritários ascendam. Por meio de cartazes e avisos televisionados, os governos municipais, em parceria com redes de televisão, devem colaborar para a criação de linhas de comunicação diretas sobre as pautas em andamento, de forma a permitir que o cidadão seja previamente informado e possa opinar politicamente.