Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 11/04/2021

Como consequência da Revolução Técnica-Científica-Informacional, as redes sociais tornaram-se parte do cotidiano dos indivíduos contemporâneos, sendo, portanto, utilizados como meios de comunicação, entretenimento e informação. Nesse sentido, é perceptível que esses instrumentos podem ser usados como forma de controlar a população e, possivelmente, favorecer a implementação de um governo totalitário, posto que a tecnologia permite o rastreamento e a manipulação das pessoas. Tendo isso em vista, faz-se mister a análise dessa conjuntura com o intuito de manter a privacidade e a liberdade no cenário hodierno.

Primeiramente, convém ressaltar que os aparelhos eletrônicos permitem o monitoramento dos usuários desses recursos. Sob essa perspectiva, o romance distópico “1984”, do escritor George Orwell, descreve uma sociedade em que há a dominação do autoritarismo e do rastreamento de cada passo dado pelos cidadãos através de camêras em locais públicos e nas residências. Dessa forma, assim como na obra, o governo chinês tem planejado a imposição de um sistema em que fiscaliza as atitudes dos chineses e cria um ranking de confiança. Logo, é inaceitável que medidas como essas sejam impostas, porquanto que infrigem o direito a uma vida particular e à liberdade de expressão.

Outrossim, de acordo com o filósofo francês Pierre Bordieu, “aquilo que foi criado para ser um instrumento da democracia, não deve ser convertido em uma ferramenta de manipulação”. Todavia, é notório que a tecnologia facilita o influenciamento e a alienação da massa, visto que o algoritmo das mídias sociais controla o que deve ser exibido ao usuário. Ademais, o fluxo de “fake news” nessas redes é assustadoramente alto e poucos indivíduos verificam se a informação é verídica, optando por confiar na notícia falsa. Nessa óptica, uma pesquisa feita pela Kaspershy, empresa de cibersegurança, alegou que 62% dos brasileiros não sabem detectar uma informação mentirosa. Desse modo, é substancial a alteração desse quadro.

Urge, pois, ações que possam combater qualquer aspecto que favoreça um sistema despótico. Para tanto, é incumbência do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações proteger os usufruidores de redes sociais, por meio da criação de leis mais rígidas acerca do monitoramento dos utentes, afim de haver o respeito à privacidade destes. Além disso, é imprescindível que esse mesmo órgão, juntamente com a mídia, conscientizem a população sobre a veracidade das notícias, por meio de propagandas, com a finalidade de incentivar a busca da verdade. Quiçá, assim, a sociedade estará mais preparada para impedir o totalitarismo na era tecnológica.