Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 18/06/2021
No livro “As Origens do Totalitarismo”, escrito pela filósofa alemã Hannah Arendt, é proferida a seguinte frase: “A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter diretos”, mas ao analisar tal passagem é possível concluir que tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase quando se observa as diversas formas totalitárias impostas em um mundo que é dominado pela tecnologia e informação. Diante dessa perspectiva, faz-se a análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar que no ambiente cibernético existe o direcionamento de informações, com fito de manipular o usuário por meio de algoritmos que mostram em suas navegações aquilo que o usuário gostaria de ver. A exemplo disso, a empresa Cambridge Analítica, empresa privada de análise de dados, em 2018, usou a rede social Facebook para obter dados dos usuários da plataforma, com o objetivo de encaminhar campanhas políticas do então presidenciável Donald Trump, para que as pessoas segundo os dados obtidos, poderiam se identificar com o candidato na época, dessa forma favorecendo-o de maneira ilegal. Dessa maneira, fica evidente o elevado controle que a internet exerce em seus usuários, de uma maneira imperceptível e de certa forma “natural”.
Ademais, é fundamental apontar que atualmente muitas pessoas estão condenadas a “prisões sem grades” ou “prisões invisíveis”, no qual o indivíduo sente-se coagido a agir de determinada forma conforme o Estado determina. Tal fato pode ser exemplificado pelo governo chinês, segundo a agência de notícias BBC, a China está desenvolvendo um programa que analisa, observa e beneficia os cidadãos que se comportarem de forma adequada, e com isso ganharam “crédito social”, tornando-o um cidadão mais confiável a medida que seus créditos subirem. Tal prerrogativa “fere” o direito à liberdade previsto pela Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, pois o cidadão se tornará refém do bom comportamento previsto pelo Estado.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se estabelecer através das vias midiáticas, campanhas que explicitem a importância das pesquisas diversificadas na rede, a fim de proporcionar maior conhecimento não limitando-se apenas pelo o que o algoritmo oferece em sua primeira tela. E, juntamente a isso, é importante que as populações pelejem, por meio de protestos, campanhas o direito à liberdade e autonomia, garantida pela ONU (Organização das Nações Unidas) para que possar existir uma sociedade livre das amarras dos governos totalitários. Dessa forma, se consolidará uma sociedade mais consciente, onde seus cidadãos tenha o direito a ter direitos.