Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 12/07/2021
No livro “Admirável mundo novo”, Aldous Huxley apresenta um futuro distópico, em que as pessoas, divididas em castas, se encontram totalmente controladas pelo governo. Sob o ideal de felicidade e estabilidade, essa nova ordem social, embora bem-sucedida, priva seus habitantes da real cultura e condiciona o senso crítico da sociedade. Em paralelo à ficção, a contemporaneidade já apresenta pontos em semelhança ao romance, uma vez que o avanço na tecnologia e a superficialidade das relações pessoais se apresentam como possíveis aspectos de uma nova forma de totalitarismo, o qual atua não por meio do ódio ou da força, mas pelo controle social de forma velada.
Em primeira análise, com a segunda e a atual terceira Revolução Industrial, os laços de empresas e empregados mudaram. Por exemplo, no filme “Tempos Modernos” de Charles Chaplin, o empregado a frente da linha de montagem é considerado parte da engrenagem, e como uma máquina, só se é esperado dele que “aperte parafusos”. Dessa forma, a tecnologia apesar de acelerar os processos de produção, condiciona os trabalhadores a labutar funções simplificadas, ocasionando na perca do ímpeto crítico-social, e em cosequência, escravizando-os com base em desejos e necessidades que só se suprem por meio da compra de produtos ou equipamentos. Logo, o indivíduo se encontra preso em um processo de trabalho inexpressivo e subordinado a esse atual sistema capitalista.
Outrossim, com a urgente necessidade de compra, surge a superficialidade nas relações pessoais. Uma vez que, o bom convívio com as demais pessoas depende diretamente do status que se é apresentado frente a sociedade, propagada hoje principalmente por meio das redes sociais. Pois de acordo com a teoria da “Modernidade Líquida”, de Zygmunt Bauman, a sociedade entrou em um estado de lógica do consumo, em que as pessoas não são mais julgadas pelo que são, e sim pelo que compram. Assim, a necessidade do consumismo como meio de alcançar o bem-estar social corrobora diretamente para a superficialidade das relações entre pessoas e instituições, facilitando para governantes obterem o controle das massas, em que estes, auxiliados pelo condicionamento crítico da sociedade, podem atuar de forma maléfica, priorizando seus interesses em detrimento do bem comum.
Portanto, urge a necessidade de se reverter esse quadro. Logo, cabe ao Ministério da Educação incluir à disciplina de sociologia o tópico: “Pensamento crítico na sociedade moderna”. Por meio da apresentação de palestras e filmes tratando esse tema, com posterior exercício de produção textual referente aos pontos abordados. No intuíto de aflorar nos jovens a iniciativa do senso crítico para abordar temas relevantes na atualidade, aguçando-os para questionar os padrões vigentes, e preparando-os para se proteger de possíveis novas formas de totalitarismo.