Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 03/09/2021

No século XIX, o sociólogo Émile Durkheim disseminou um pensamento segundo o qual a sociedade funciona como um organismo vivo, ou seja, todos os seus componentes deveriam viver em harmonia para que fosse possível conquistar o bem-estar geral. Contudo, no que diz respeito aos avanços tecnológicos, a precária fiscalização das redes sociais e o controle de dados dos usuários têm se revelado como aliados ao avanço do totalitarismo no mundo, ameaçando tal homeostase.

Nesse viés, observa-se no documentário “O Dilema das Redes” a importância dos algoritmos - instrumentos que analisam o comportamento de seus usuários na internet - no que tange à segregação desse espaço. De fato, quanto mais polarizado se torna um meio de comunicação, mais facilmente se desenvolvem os extremismos, representando uma ameaça à democracia. Ligado a isso, durante o regime ditatorial varguista houve a criação do programa de rádio “A Voz do Brasil”, responsável por detalhar os avanços do país nesse período, entretanto só eram retratados os aspectos positivos, resultando novamente nessa polarização a qual legitimava a tomada de medidas repressoras pelo governo.

Outrossim, conforme o capitalismo e seus processos produtivos evoluíram de acordo com as novas demandas da população global, as suas estratégias de maximização de lucros também se reinventaram. Desse modo, revela-se desde a ascensão do Toyotismo, a necessidade de se conhecer detalhadamente quem usufrui de seus serviços, implicando a elaboração de um imenso banco de dados que registra as preferências de compra de cada indivíduo. No entanto, esse recurso pode ser desvirtuado em sua finalidade de modo a controlar o comportamento desses cidadãos, assim como é idealizado o novo sistema de “crédito pessoal” presente na China. Expõe uma preocupante violação da liberdade de expressão, no que concerne a possível negação de serviços básicos como saúde e educação àqueles que não atingirem determinada pontuação.

Assim exposto, torna-se explícito e urgente que medidas devem ser tomadas para combater a propagação da repressão e do totalitarismo no país. A educação financeira conseguiu tirar Singapura e outros países de graves crises econômicas. Nesse contexto, o Ministério da Educação aliado aos Institutos de Tecnologia do Ensino Superior deve promover a inserção da educação digital à grade curricular por meio de reformulação da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) com o fito de elucidar precocemente a sociedade a respeito dos mecanismos de funcionamento das mídias e suas implicações nos núcleos sociais. Somente assim, uma nação consciente e crítica a respeito das ferramentas que a cercam poderá lutar contra a disseminação de discursos autoritários e ameaças aos direitos humanos, garantindo assim o bem-estar idealizado por Durkheim.