Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 16/11/2021
O livro “Origens do Totalitarismo” escrito por Hannah Arendt, é um aprofundamento sobre os regimes totalitarios em si e sobre todas as ditaduras deste segmento que ocorreram na Europa. Um tópico comentado pela socióloga é a substituição das fronteiras e canais de comunicação entre homens individuais por um “cinturão de ferro” que os cinge de tal forma, como se a pluralidade destes homens se dissolvessem em um só homem de dimensões gigantescas. No contexto nacional atual, as formas de totalitarismo comentadas por Arendt, ocorrem discretamente por novas plataformas, todavia com os mesmos traços e características dos regimes do século XX. Isso ocorre, pois faltam informações para identificar este assunto no cotidiano e, também existe um espaço para que este comportamento seja reproduzido com a vinda de novas tecnologias.
Nessa perspectiva, acerca da lógica referente as novas formas de totalitarismo, é válido retomar o aspecto supracitado quanto à omissão estatal neste caso. Segundo a antropóloga Adriana Dias, o Brasil possui mais de 350 grupos neonazistas com mais de 7 mil membros engajados e, mesmo diante de tal cenário alarmante, os regimes totalitários como o (neo)nazismo, ganham mais membros por causa da influência das redes sociais e das notícias falsas que circulam. Isso ocorre pela falta de investimento público no setor da educação, para conscientizar a população sobre estas temáticas que se tornam cada vez mais persistentes no Brasil.
Paralelamente ao descaso das esferas governamentais nessa questão, é fundamental o debate acerca das vítimas destes regimes e dos grupos que acreditam veemente nestas correntes ideológicas, uma vez que as denúncias feitas por elas cresceram exponencialmente nos últimos anos. Este quadro de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, de Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, mas que não cumprem seu papel com eficácia. Desse modo, é imprescindível que, para a refutação do sociólogo polonês, essa problemática seja revertida.
Urge, portanto, que os agentes delegados cooperem para mitigar as novas formas de totalitarismo na era tecnológica, visto que a prática destes regimes é um crime no Brasil. Cabe aos cidadãos repudiar essas correntes ideológicas extremistas no cotidiano, por meio de seminários didáticos que ensinem corretamente sobre este assunto com informações verdadeiras. Ao Ministério Público, por sua vez, compete promover estes seminários pertinentes contra atitudes relacionadas as novas formas de totalitarismo. Assim, observada a ação conjunta entre população e poder público, será possível erradicar as novas formas de corrente ideológicas extremistas e conviver em uma sociedade com menos preconceito e ódio.