Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 27/10/2024
Na obra “Origens do Totalitarismo”, a filósofa Hannah Arendt destaca que, embo-ra o ser humano moderno tenha um poder sem precedentes, ele não consegue vi-ver plenamente no mundo destrutivo que criou. Nesse contexto, é crucial analisar como o totalitarismo tecnológico prejudica o ser humano, especialmente pela ame-aça que representa à democracia e pela dificuldade de combatê-lo.
À vista desse problema, o alcance da tecnologia representa uma ameaça ao regi-me democrático, pois facilita a manipulação dos usuários. Nesse viés, a ética kan-tiana reforça que a tecnologia deve ser usada como um meio para o bem comum, e não para atender a interesses particulares ou manipular a sociedade. Assim, a cole-ta de dados de internautas em plataformas tecnológicas, para fins de controle, con-traria os princípios éticos do filósofo e configura um desvio de conduta por parte do Estado. Um exemplo é a campanha de Donald Trump nos Estados Unidos, em 2016, que manipulou dados de usuários do Facebook para direcionar anúncios po-líticos, prejudicando a democracia e a autonomia do eleitor.
Outrossim, a tirania tecnológica é uma arma difícil de combater, uma vez que pa-rece inofensiva. No entanto, a centralização dos dados e do controle nas mãos de poucas entidades permite a manipulação sutil e abrangente das informações, o que leva a um poder que passa despercebido pelo público. Sob essa perspectiva, muitas vezes os usuários acreditam que suas informações estão sendo usadas ape-nas para personalizar serviços, sem perceber que esses dados podem ser direcio-nados para monitoramento e controle. Dessa forma, a tirania tecnológica se enraí-za na sociedade, porque se apresenta como um benefício, enquanto perpetua mecanismos de controle e restrição da liberdade.
Diante do exposto sobre o totalitarismo na era tecnológica, é imperativo que me-didas sejam adotadas. Logo, cabe ao Estado desenvolver um plano nacional de di-retrizes que garanta a liberdade dos indivíduos, estabelecendo a obrigatoriedade de solicitar autorização para o uso das informações dos internautas. Para isso, o governo deve criar avisos claros sobre o uso de dados, de modo que todos possam compreender como suas informações serão coletadas e utilizadas. Dessa maneira, a sociedade vivenciará um contexto diferente do preconizado por Hannah Arendt.