Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 16/11/2020
O Trovadorismo - manifestação literária da Idade Média - idealizava a figura do homem como ser inabalável, por meio de alusões a heróis medievais em versos poéticos. Paralelo à literatura trovadora, observa-se que a idealização de gênero persiste até o período hodierno, de forma a moldar comportamentos sociais prejudiciais à integridade física humana. Dessarte, esse cenário é inconcebível na realidade brasileira atual, uma vez que produz desafios para a conscientização acerca da saúde masculina, em virtude da negligência governamental e de preconceitos socioculturais.
De início, é imperativo elucidar que a Carta Magna, promulgada em 1988, assegura o direito à saúde a todos os cidadãos, independente de critérios genéricos. Todavia, tal prerrogativa constitucional faz-se pouco efetiva em metodologias de praxe, porquanto dados do Instituto Nacional de Câncer revelam que cerca de 66 mil homens serão identificados com câncer de próstata, no ano de 2020. Nesse sentido, constata-se a falta incentivo às medidas preventivas, a saber, a realização de exames periódicos. Nessa ótica, o panorama exposto alude à obra “Cidadãos de Papel”, escrita por Gilberto Dimenstein, a qual disserta a respeito da falta de acesso populacional aos benefícios normativos. Desse modo, é substancial que o aparato legislativo seja eficiente na prática.
Sob outro prisma, é imperativo pontuar que questões culturais, atreladas ao processo histórico de formação do país, agravam a problemática em pauta. Isso porque, na era “Brasil Colônia”, se relegava ao homem a função de protetor e de autoridade máxima da comunidade, o que consolidou o estereótipo da figura masculina de gênero “forte”. De maneira análoga, o filósofo Francis Bacon, em sua teoria dos “Ídolos”, postulou que as percepções equivocadas falseiam a compreensão da realidade. Consequentemente, valores socioculturais machistas persistem na contemporaneidade, fazendo-se mister viabilizar mudanças comportamentais na civilidade.
Em síntese, a observação crítica dos fatos mencionados reflete a urgência no combate aos entraves supracitados. Portanto, compete ao Ministério da Saúde - órgão da administração pública - investir, mediante verbas da União, em campanhas governamentais que incentivem a população masculina a praticar exames regulares de próstata. Para tanto, o projeto contará com o apoio das grandes mídias para a difusão informacional, a fim de reduzir o número de indivíduos diagnosticados com câncer ou tumores no órgão em evidência. Ademais, cabe ao Ministério da Educação, por intermédio de mudanças na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), implementar uma disciplina específica voltada à educação sexual nas escolas, com o objetivo de desconstruir os paradigmas de gênero impostos. Assim, a conscientização social quanto à saúde masculina concretizar-se-á, gradativamente.