Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 17/11/2020

Na Constituição Federal Brasileira de 1988, normativa máxima do país, em seu artigo 196, refere que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Contrário a essa premissa, a promoção à saúde do homem no país não tem alcançado níveis satisfatórios pois, a falta de investimento em políticas públicas específicas para esse sexo tem influenciado no aumento dos índices de câncer, especialmente o de próstata. Nesse contexto, como desafios para a conscientização do homem na procura de atendimento preventivo, inclui-se o preconceito e a lenta mudança na mentalidade social.

Em primeiro lugar, o preconceito do sexo masculino influencia na questão. A maior parte dos homens deixa de procurar atendimento médico para realizar o exame do toque retal, mediante pensamentos machistas e que questionam sua masculinidade. Tal fato reflete a falta de orientação dos mesmos, ao deixarem de realizar a consulta com o especialista, que primeiramente solicita um exame de sangue, e, caso necessário, irá proceder com o exame físico específico. Essa situação de preconceito, tem relação com o pensamento do filósofo indiano Gandhi, ao dizer que temos que ser a mudança que queremos ser. Desse modo, deve partir dos homens também a iniciativa de modificar suas crenças preconceituosas, além de suas condutas omissas com a saúde.

Em segundo lugar, a lenta mudança na mentalidade da população encontra terreno fértil na questão. Sabe-se que a cultura da população brasileira ainda contém o pensamento de que os serviços de saúde são apenas disponibilizados para atendimento em casos de enfermidades, concebidos num paradigma assistencial médico-centrado dos anos 70-80. Nesse contexto, as políticas públicas do país para a saúde do homem se convergem na comemoração do Novembro Azul, mês escolhido para que as unidades de saúde trabalhem na conscientização da população masculina, tendo enfoque no câncer de próstata, que, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) é o segundo tipo de câncer com maior incidência nessa população.

Logo, medidas devem ser tomadas para que a conscientização quanto a saúde masculina alcance níveis desejáveis. Para isso, as Unidades Básicas de Saúde devem realizar palestras para esclarecer a população sobre as especificidades da saúde do homem, com a presença de especialistas na área e pessoas que já tiveram câncer de próstata, a fim de expor sua experiencia com essa comorbidade e esclarecer o quanto se faz importante a promoção à saúde, de modo que se evitem complicações. Tais palestras devem ser webconferenciadas, para que seja atingido um público maior, e que o preconceito com o exame físico específico para o homem seja desmistificado. Assim, a população poderá ter suas concepções alteradas e a saúde do homem efetivada no país.