Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 18/11/2020

A saúde do homem moderno

Na Europa do século XIV, em meio à epidemia de peste bubônica, a chegada de médicos aos assentamentos era considerada mau presságios para os moradores . Isso ocorria pois a imagem de um curandeiro era associada à doença e aos óbitos por ela causados. Hodiernamente, no Brasil, entende-se que a relação entre medicina e doença é benéfica aos enfermos, e não o contrário. Mesmo assim, preconceitos ainda fazem os homens não irem a doutores urologistas para realizar exames de grande importância na prevenção do câncer de próstata. Nesse contexto, cabe buscar os entendimentos da causa e da necessidade de solução dessa problemática, para que uma solução possa ser proposta.

É importante, primeiramente, perceber que o preconceito é o principal fator que leva os  homens  a não se consultarem de maneira preventiva. Isso se dá pois um dos exames de identificação do câncer de próstata é o do toque, que é realizado por meio do anus do paciente, área  do corpo associada, preconceituosamente, à homossexualidade. Isso faz com que o procedimento essa evitado, uma vez que a cultura de supervalorização dos signos de masculinidade, em detrimento dos de feminilidade ou homoafetividade, se faz muito presente no Brasil. Fato que corrobora com essa ideia é pesquisa realizada pelo Datafolha a pedido da Sociedade Brasileira de Urologia que revela que 23% do público diz que toque retal ’não é coisa de homem'.

Vale, ademais, ressaltar que, pelo contexto e relevância do assunto, faz-se necessária uma mudança cultural por meio da desmistificação desses preconceitos. Na música “Homem não chora”, Frejat canta: “homem não chora nem por ter nem por perder”. O trecho reflete o paradigma atual da sociedade, no qual se espera dos homens a manutenção constante e incondicional da imagem da masculinidade, ainda que isso signifique negligenciar sua própria saúde. Por esse motivo é preciso confrontar mitos e abrir diálogos acerca do significado de ser homem.

É possível, finalmente, depreender que o preconceito se mostra como um antagonista aos cuidados com as saúdes dos homens e que uma forma de superar o problema é o diálogo e ressignificação conceitos. Por isso, cabe à mídia, em associação com o ministério da saúde, a veiculação e o desenvolvimento de medidas persuasivas por meio de palestra e representações artísticas com o objetivo de atingir o grande público e conscientizá-lo a respeito da importâncias dos cuidados com a saúde masculina. Dessa forma seria possível superar a questão.