Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 17/11/2020
Segundo Émile Durkein, sociólogo francês, o fato social consiste em maneiras de agir, coletivamente, que exercem determinada força sobre as ações do indivíduo. Nesse sentido, os desafios para a conscientização da sociedade quanto à saúde masculina, no Novembro Azul, estão relacionados com o comportamento coletivo, ratificando o conceito de Durkein. Desse modo, percebe-se não só o sistema educacional deficitário, mas também a falta de efetivação das garantias constitucionais, como questões que validam o fato social e, portanto, precisam ser solucionadas.
A princípio, o professor Paulo Freire explicitou sobre a pedagogia libertadora, uma alusão à educação crítica a serviço da transformação cultural. No entanto, ao verificar que os homens, em sua grande maioria, não possuem o hábito de realizarem exames periódicos, a fim de prevenir o câncer de próstata, segundo o Correio Braziliense, nota-se uma sociedade distante da ideologia freiriana. Essa realidade, por sua vez, explica-se pela prevalência de um ensino tecnicista, o qual não desenvolve uma tomada de consciência crítica, no indivíduo, que revela-se, nesse contexto, na falta de conscientização social quanto à prevenção de doenças. Dessa maneira, observa-se o sistema educacional deficiente, o qual não consegue formar, sobretudo, homens que venham a ser diligentes, no tocante à saúde.
Outrossim, a Constituição Federal explicita que é dever do Estado garantir saúde a todos. Entretanto, nota-se outro cenário: a falta de políticas públicas eficientes, com o fito de conscientizar a sociedade, de forma plena, sobre a importância da prevenção do câncer de próstata, seja pelo preconceito que há na relação sobre a masculinidade do homem e a forma como o exame é realizado, seja pela permanência de uma rede de educação que não consegue dirimir tais emblemas. Nessa perspectiva, os fatos expostos ecoam o ‘‘Enigma da Modernidade’’, do filósofo Henrique de Lima, o qual elucida que a sociedade, apesar de ser avançada teoricamente, é primitiva em suas razões éticas. À vista disso, percebe-se que as garantias constitucionais não visualizadas na narrativa factual.
Logo, infere-se que os desafios associados ao Novembro Azul precisam ser resolvidos. Para tanto, é fundamental que o Poder Executivo- por meio de debates com o Ministério da Educação- realizem reformas educacionais, com a finalidade de transformar a realidade cultural dos homens. Posto isto, é imperioso que tal ação interventiva, para que seja efetuada, foque nas ideias de Paulo Freire. Ademais, é imprescindível que as ONGs, aliadas à mídia, desenvolvam campanhas publicitárias- mediante depoimentos de cientistas sociais- que expliquem a importância de o Estado criar políticas públicas eficientes, com o intuito de efetivar os dispositivos constitucionais. Dessa forma, obter-se-ão indivíduos menos propensos à sujeição do contexto social, como supôs Émile Durkein.