Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 17/11/2020

O poema modernista “No meio do caminho”, escrito por Carlos Drummond, retrata a persistência de um impasse que impede o pleno desenvolvimento do eu-lírico. Analogamente, fora da literatura, o descuido à saúde masculina cunha-se nocivo não só para o presente dos homens, mas também para o seu futuro. Nesse sentido, seja pelo latente machismo intrínseco à sociedade ou pela deseducação sexual dos civis, a negligência quanto ao bem-estar viril e seus devidos cuidados é extremamente prejudicial aos brasileiros e, por isso, carece de cuidados.

Previamente, é necessário salientar que a masculinidade frágil é a principal percussora do mal-estar físico e psíquico. À medida que os meninos são ensinados a não exporem sua vulnerabilidade, a dificuldade em pedir ajuda é alarmada. Dessa forma, além dos malefícios mentais - Como a depressão e a ansiedade - O “mito do homem forte” pode ocasionar quadros graves de doenças - Por exemplo, o câncer de próstata e o HIV -, devido ao descuido médico. Sob essa ótica, o filme “Moonlight”, de 2016, elucida bem a imposição social masculina, ao passo que discorre sobre o bullying sofrido por um rapaz gay que não escondia sua fragilidade. Segundo o filósofo John Locke, é dever do Estado oferecer mecanismos para o bem-estar social. Desse modo, é imperioso amenizar o machismo exacerbado.

Ademais, a ineficiência educacional também contribui para a desatenção dos homens quanto à saúde. Conforme os pequenos não possuem aulas de ensino sexual e conhecimento dos órgãos reprodutores, o desenvolvimento dos cidadãos dá-se de maneira ignorante. Nesse viés, os indivíduos crescem tendo a crença de que podem contrair apenas as mesmas enfermidades que as mulheres, quando na verdade, possuem riscos distintos. De acordo com o sociólogo Paulo Freire, no entanto, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda”. Logo, instituir um respaldo pelo ensino é essencial no objetivo de evitar que o descuido continue a longo prazo.

Portanto, ações são indispensáveis para realizar a conscientização social quanto à saúde masculina. Sob esse prisma, promover a obrigatoriedade de palestras sobre gênero e seus riscos biológicos específicos, nos níveis médios de ensino, por intermédio de uma ementa legislativa feita pelo Congresso Nacional, é fundamental a fim de evitar que o entrave persista nas próximas gerações. Para isso, a renda do Ministério da Educação e Cultura serviria como custeio. Outrossim, a criação de propagandas televisivas que mostrem os índices de enfermidades relacionadas apenas aos homens, por meio de parcerias público-privadas entre o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e empresas midiáticas, é mister no intuito de aumentar o cuidado médico e diminuir o machismo. Apenas assim a “pedra no meio do caminho” da vitalidade viril, será, enfim, contornada.